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de Dan Barker
Este primeiro artigo na série "Freethought Debater" (Debatedor Livrepensante), lida com a forma de debater com os crédulos. Cada artigo irá conter um argumento sucinto, dicas de debate ou uma observação sobre como lidar com os defensores da religião, baseado em debates formais que Barker teve com cristãos.O Deus cristão é definido como um ser pessoal que sabe tudo. De acordo com os cristãos, os seres pessoais têm livre-arbítrio. Para ter livre arbítrio, você deve ter mais de uma opção, cuja uma é descartada. Isso significa que antes de você fazer a escolha, deve haver um estado de incerteza durante o período de possibilidades: você não pode saber o futuro. Mesmo se você achar que pode prever sua decisão, se você afirma ter lívre arbítrio, deve admitir a possibilidade (senão o desejo) de mudar de idéia antes da decisão ser a última. Um ser que sabe tudo não pode ter um "estado de incerteza". Ele sabe as escolhas antes. Isso significa que não têm a liberdade de evitar as escolhas dele, portanto ele não possui o lívre arbítrio. Já que um ser que não possui o livre arbítrio não é um ser pessoal, um ser pessoal que sabe tudo não pode existir. Portanto, o Deus cristão não existe.
Algumas pessoas negam que os humanos tenham livre arbítrio; mas todos os cristãos afirmam que Deus, "em três pessoas," é um agente pessoal livre, assim declara o argumento. Outros vão objetar que Deus, sendo todo-poderoso, pode mudar de idéia. Mas se ele muda, então não sabia o futuro desde o início. Se ele realmente sabe o futuro, então o futuro é fixo e nem Deus pode mudá-lo. Se ele muda de idéia de qualquer jeito, então seu conhecimento era limitado. Não pode ser dos dois jeitos: nenhum ser pode ser onisciente e onipotente ao mesmo tempo. Uma objeção mais sutil é que Deus "sabe" o que ele vai fazer porque ele sempre atua de acordo com sua natureza, o que não diminui sua liberdade de atuação. Deus poderia dizer, por exemplo, que ele não contará uma mentira amanhã - porque ele sempre diz a verdade. Deus poderia escolher de fora da sua natureza, mas ele nunca faz isso. Mas o que "natureza de Deus" significa? Ter uma natureza é ter limites. A "natureza" que restringe humanos é o nosso ambiente físico e nossos genes; mas a "natureza" de um ser sobrenatural deve ser algo mais. É impróprio dizer que a "natureza" de um ser sem limites possui a mesma relação com o objeto de livre arbítrio que a natureza humana tem. O livre arbítrio requer ter mais de uma opção, um desejo a escolher, liberdade de escolha (livre de obstáculos), poder de realizar a escolha (força e capacidade), e o potencial de evitar a opção. "Força e capacidade" coloca um limite no que qualquer pessoa é "livre" para fazer. Nenhum humano tem liberdade de andar um quilômetro por minuto, sem ajuda mecânica. Somos livres para tentar, mas falharemos. Todas as nossas escolhas e desejos são limitados por nossa natureza; porém ainda podemos afirmar que temos livre arbítrio (aqueles de nós que afirmam) porque não conhecemos o nossas escolhas futuras. Se Deus sempre atua de acordo com sua natureza (seja lá o que isso signifique), então ele ainda tem mais de uma opção viável que não contradiz sua natureza se ele quiser ter o livre arbítrio. Por outro lado, ele é um escravo da sua natureza, como um robô, e não um agente pessoal livre. O que a palavra "opção" significaria para um ser que criou todas as opções? Alguns dizem que "livre arbítrio" com Deus não significa a mesma que significa com humanos. Mas como podemos entender isso? Que condições de livre arbítrio um cristão iria descartar para moldar uma "liberdade de ações" para Deus? Múltiplas opções? Desejo? Liberdade? Poder? Potencial para evitar? Talvez o desejo poderia ser alijado. O desejo impõe uma deficiência, e um ser perfeito não deve ser deficiente em nada. Mas uma "pessoa" sem necessidades ou desejos seria muito estranha. O desejo é o que induz à escolha em primeiro lugar. Ele também contrinui em avaliar se a decisão foi ou não sensata. Sem o desejo, as escolhas são aleatórias, e não decisões de verdade. Além disso, o deus bíblico expressa vários desejos. Nenhuma objeção salva o Deus cristão: ele não existe. Talvez uma deidade mais modesta pode ser imaginada: ninguém é ao mesmo tempo pessoal e onisciente, onisciente e onipotente, perfeito e livre. Mas até que um deus seja definido coerentemente, e então demonstrado existir com provas e argumentação sensata, é sensato não pensar que tal ser exista.
Dan Barker é diretor de RP da Freedom From Religion Foundation, e autor de Losing Faith In Faith: From Preacher To Atheist.
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