Dan Barker
 
 
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Atualizado: 15/10/2002
   
                     
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ATEÍSMO EVANGÉLICO:
EXTRAVIANDO CRENTES
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de Dan Barker


Vale a pena compartilhar o Livre-Pensamento com o mundo. Se as condições são adequadas, é possível para um livre-pensador evangelizar um crente.

"Evangelismo" é uma palavra perfeitamente boa. A palavra grega "anjo" significa "mensageiro". "Evangelho" é simplesmente "boas novas".

O "ateísmo" é positivo. Embora ele seja construído com o prefixo privado (negativo no sentido de "sem", e não "contra"), ele deveria ser visto como uma negação dupla. Por comparação, "não-violência" é considerada uma palavra positiva. Uma vez que o "teísmo" é irracional e mesmo perigoso, a mensagem que nós podemos nos livrar dele é uma boa nova. Ateísmo é como ter um enorme débito cancelado.

Não estou sugerindo que cada ateu deva ser um evangelizador. Alguns fazem melhor em temporariamente manter seus pontos de vista para si próprios devido à segurança no emprego e harmonia familiar. Alguns livres-pensadores sabiamente esperam até se aposentarem, quando eles têm pouco a perder, antes de se manifestarem. Em certas comunidades, descrença aberta pode custar caro.

Também não estou sugerindo que cada ateu evangelizador sempre será bem sucedido. Eu aprendi no ministério que evangelizar é como vender. Você não pode vender para todos. Mas você não pode vender para ninguém se primeiro você não os convencer que eles têm uma necessidade ou desejo por aquilo que você está vendendo.

Em um sentido, os crentes já "se extraviaram". Eles têm estado extraviados da razão, onde a religião entrar. Muitos fundamentalistas têm estado também extraviados da compaixão, paz ou tolerância.

Mas uma vez que eles vêem a si próprios como uma ovelha em um rebanho de seguidores, eles realmente precisam ser extraviados da mentalidade de submissão ao pastor, escravos de um ditador. Seria melhor para eles, e para o mundo, se houvesse mais pensadores independentes.

Quando eu estava em Columbus, Geórgia, no último outono, meu anfitrião gentil e trabalhador, Sanjay Lal, me levou a uma estação de televisão onde ele havia arranjado para que eu fosse convidado no talkshow "Rise and Shine" (desponte e brilhe). Após o show, um dos produtores perguntou a Sanjay, "Você é um dos seguidores de Dan?". Sanjay e eu rimos com a incongruência. "Eu sou um amigo de Dan", Sanjay respondeu.

Qual é o Seu Propósito?

Se você decidir se tornar um evangelizador, então pergunte a si próprio o que você espera conseguir. Você está tentando vencer uma discussão? Simplesmente encerrar uma discussão? Demolir o inimigo? Correr com teocratas intolerantes da sua porta? Se for o caso, uma abordagem combativa pode funcionar. O ridículo pode ser uma maneira eficiente de calar a boca de alguém, ou de mostrar a eles quão forte você se sente.

Entretanto, o ridículo é raramente eficiente para mudar o pensamento de alguém. Ninguém gosta que riam de si. Ninguém quer que lhe digam que eles são tolos. Como você responde ao ridículo? Combatividade cria inimigos. O propósito de um ateu evangelizador deveria ser fazer um amigo. Ganhá-lo para a racionalidade do livre-pensamento. Você não pode ganhar sua amizade com intimidação. "Avante, Soldados Ateus" é o oposto do livre-pensamento.

A amizade pode ser conseguida apenas por atração. O único modo de atrair alguém é sendo atraente. Se você quer atrair alguém para o seu lado, então os trate como amigos. Respeite quem eles são e onde eles estão nesse estágio de suas vidas. Mostre-lhes então que livres-pensadores são corteses e tolerantes. Vocês podem não se tornar amigos íntimos, mas vocês podem olhar para o futuro e divisar uma amizade respeitosa de livres-pensadores. Não é isso o que nós queremos afinal de contas?

Imagine que você esteja falando com o Dan Barker de 12 anos atrás. Veja a si próprio como plantando uma semente em uma mente curiosa - uma semente que precisa de tempo para se enraizar e crescer. Se você foi criado na religião, então imagine que você está falando com a pessoa que você era anos atrás.

Se qualquer um dos seus amigos ou parentes religiosos eventualmente se torna um livre-pensador, não será porque eles foram humilhados. Não será porque você está com raiva, preocupado ou pelo seu conhecimento. Será porque eles estão pensando por si próprios.

Queremos estimular a auto-imagem, não esmagá-la. Você não pode arrancar alguém do rebanho. Se o seu objetivo ganhar um amigo, então ganhe sua simpatia, não o afugente. Você pode não respeitar seus pontos de vista atuais, mas você pode respeitar seu potencial de aprender.

Mesmo se no final essa abordagem positiva e amigável não funcionar, você no mínimo deu uma oportunidade justa ao não trancar a porta logo no começo.

Quão Realistas São Suas Chances?

Você pode ter uma expectativa razoável de sucesso se você estiver lidando com um parente em uma família unida, com um igual na sua área profissional, ou com qualquer outro relacionamento amistoso. Se já existir um respeito horizontal, então é mais provável que seus pontos de vista sejam ouvidos com isenção. As chances são especialmente boas, eu creio, se a pessoa se aproxima de você primeiro com o que parecerem ser questões honestas.

Muitas tentativas de ateísmo evangelizador são perda de tempo. Nós todos temos coisas melhores a fazer do que discutir com um proselitista irredutível. Pergunte a si mesmo se você realmente se importa com essa pessoa. Eu acho que alguns ateus se envolvem em extensas discussões com crentes mais por orgulho filosófico que por preocupação humanista.

Se você sentir que o cristão está tentando te converter, então seja respeitoso, dê a eles alguma informação, indique-lhes a biblioteca, e então deixe-os. Diga a eles que você está interessado em um diálogo contínuo apenas se for uma rua de mão dupla.

Se você não sentir uma abertura igualitária, então não se envolva em um debate prolongado. Há muitos crentes que procuram descrentes como uma "missão de campo". Eles gostam de ter alguém para chutar, uma oportunidade para exercitar seus virtuosos músculos. Não os encoraje. Isso apenas os fortalece. Eles podem voltar à igreja deles e anunciar: "eu travei uma batalha contra o Diabo hoje!".

Alguns pregadores usam debates para fazer dinheiro, provando a seus patrocinadores o quão bravos eles são. Mesmo que você tenha um argumento razoável, uma motivação compassiva e toneladas de fatos relevantes, o tiro pode sair pela culatra se o crente está apenas brincando. Muitas vezes a melhor estratégia é não usar tática alguma.

Entretanto, ás vezes é proveitoso envolver-se em uma discussão sem esperança, por outros motivos. Alguns livres-pensadores exercitam-se com cristãos a fim de afiar suas habilidades de debate. Debates no rádio e televisão têm a vantagem de atingir uma audiência maior de livres-pensadores em potencial. Eu aprecio debates formais, em público, porque promovem o livre-pensamento e dão publicidade à Freedom From Religion Foundation (Fundação para Liberdade da Religião). Tenho pouca esperança de mudar a opinião dos meus oponentes, mas há muitos na audiência que estão prontos para pender para o livre-pensamento, especialmente em uma universidade.

Mesmo se suas chances não forem grandes, se você tem tempo e energia, pode-se ter pouco a perder pelo esforço. Livres-pensadores podem no mínimo mostrar ao mundo que eles estão aqui. Quem sabe? Talvez a imagem dura de agitadores-de-bíblias seja apenas uma máscara. Talvez alguns deles "protestem demais". Com paciência, você pode descobrir que há um grande número de livres-pensadores em potencial lá fora.

Com Que Tipo de Crente Você Está Lidando?

Quando sabem que eu fui um ministro, livres-pensadores sempre me perguntam "que coisa te fez mudar de idéia?". Não há "uma coisa". Mesmo se houvesse, não adiantaria muito. Não há nenhuma "bala mágica" que funcione com todos os cristãos.

Se você tiver sorte, sua formação religiosa irá combinar com o deles e você pode simplesmente perguntar, "o que fez com que eu me tornasse um livre-pensador?". Alguns livres-pensadores ex-religiosos cometem o erro de supor que seus pensamentos deveriam impressionar todos os outros cristãos.

Se as suas formações não são similares, então você tem que fazer um pouco de lição de casa. Em casos extremos, você pode ter que aprender uma língua nova, filosoficamente falando. Você pode ter uma conversa com um crente, achando que você tem um entendimento quando, na verdade, suas palavras se desencontram. As mesmas palavras podem significar coisas totalmente diferentes.

Um dia, na universidade, minha namorada (que era da Coréia) estava me ajudando a lavar meu carro. Quando terminamos, ela disse: "Dan, você é um homem".

"Você acha mesmo que sim?", perguntei.

"Sim", ela disse. "Você é um homem de verdade".

Eu devia ter deixado como estava, mas eu continuei e perguntei: "O que você quer dizer?".

"Porque você fez um trabalho ruim limpando esses faróis, e olhe o risco que você deixou no pára-lama".

Durante um debate na Universidade de Wisconsin - Eau Claire, meu oponente respondeu a uma das minha colocações com: "Isso soa como uma coisa bem humanista de se dizer!".

"Sim", eu respondi, "é humanística". Eu entendi o que era para ser pejorativo como um elogio. A mesma coisa pode ocorrer com outras palavras, tais como "liberal". ("Liberal" está na bíblia. "Conservador" não. Ver Isaias 32:7,8 na Versão do Rei Jaime, por exemplo).

Mesmo que você possa ter uma formação diferente, você ainda pode identificar temas produtivos de discurso. Se você não puder, você pode perder tempo discutindo sobre um ponto que não faz diferença. Por exemplo, você pode ir a extremos para provar que a bíblia é contraditória apenas para descobrir que o seu oponente é um cristão liberal que concorda com você!

Existem centenas de sabores de cristãos, mas geralmente eles caem em três grandes grupos: fundamentalistas, moderados e liberais. Os tipos de argumentos que impressionam fundamentalistas lidam com a confiabilidade da bíblia, respostas à oração, cura pela fé, profecia, milagres, vidas mudadas, e a questão de padrões absolutos de moralidade. Os moderados são impressionados com algo acima citado, e com argumentos que lidam com o caráter do deus bíblico, com o fato de que os descrentes são pessoas boas, e que com algumas questões sociais. Cristãos liberais são impressionados com refutações de argumentos apologéticos, com discussões sobre o significado da linguagem religiosa, paralelos pagãos ao cristianismo, a conexão de fé com atos bons, e questões sociais. Esses são agrupamentos genéricos, e na vida real há muita sobreposição, variedade de discordância.

Os fundamentalistas defendem a bíblia a todo custo, mesmo quando ela produz absurdos ou barbarismo. Os liberais tendem a ficar embaraçados com a bíblia. Os fundamentalistas geralmente não se importam com a injustiça social. Poucos deles se incomodam com a discriminação contra homossexuais, mulheres ou descrentes. Alguns deles desejam a intolerância. Os liberais, ao contrario, tendem a ser sensíveis à injustiça. (e é por isso que eles são liberais). Eles, da mesma forma, sentem-se envergonhados da história de sua própria religião.

Há dúzias de áreas adicionais de diálogo produtivo, é claro. O truque é mirar no alvo correto. É como o velho ditado: algumas pessoas conseguem chegar ao topo da escada só para descobrir que ela está encostada na parede errada.

Esteja Disposto a Pular Com os Dois Pés

Se o diálogo é realmente nos dois sentidos, então você deve estar disposto a ler a literatura deles. Você deve pelo menos estar minimamente familiarizado com sua teologia particular. Afinal de contas, nós não adoraríamos se eles lessem alguns dos livros que nós recomendamos?

Durante um debate pelo rádio em Phoenix, um ministro local me perguntou: "Você já leu The God Is There (O Deus Está Aí) de Francis Schaeffer?";

"Sim, li", eu respondi, "e eis o que está errado com esse livro". Como eu critiquei alguns dos argumentos de Schaeffer (forçando meu cérebro a lembrar algo do texto), eu pude sentir que o pastor estava recuando. Ele não estava acostumado a critica informada. Pode ser muito eficiente quando você diz que você já leu um dos autores de estimação deles.

Nos meus contatos com fundamentalistas, aqui estão alguns dos autores mais comuns que apareceram:

C. S. Lewis, especialmente Mere Christianity (Mero Cristianismo). Josh McDowell, especialmente Evidence That Demands a Verdict (Evidência que Exige um Veredicto) e More Than a Carpenter (Mais que Um Carpinteiro). (McDowell tem uma tonelada de livros pretendendo responder aos argumentos dos céticos) Francis Schaeffer, Escape From Reason (Fuga da Razão), The God Who Is There (O Deus que está aí), e muitos outros. A lista também inclui Mary Baker Eddy (Christian Science - [Ciência Cristã]), Ellen G. White (Seventh Day Adventism [Adventismo do Sétimo Dia]), O Livro dos Mórmons, e a bíblia, é claro. Cristãos Liberais têm sua própria lista de livros, mas eles tende a não empurrá-los como os fundamentalistas.

Como Você se Aproxima de um Fundamentalista?

Deixe me contar a você o que teria me impressionado há 12 anos atrás. Isso se aplicará à maioria dos fundamentalistas, mas não a todos os cristãos. Primeiro, crítica informada da bíblia. Se você abriu a minha bíblia e apontou para versículos relevantes, eu posso não ser instantaneamente convertido ao ateísmo, mas eu teria ficado impressionado pelo seu conhecimento do que eu considero importante. Teria acertado bem na cabeça do prego. Embora eles venerem a bíblia como o maior livro já escrito, poucos fundamentalistas conhecem muito sobre ela. Eu recentemente estive em um programa de rádio em Nashville com um líder teológico Reconstrucionista. Ele quer que os Estados Unidos voltem às leis do Velho Testamento, inclusive apedrejando blasfemos e homossexuais até a morte (sem brincadeira). Quando eu listei exemplos da moralidade inferior de Jesus, ele me interrompeu com: "Onde Jesus diz que escravos devem ser espancados?".

"Você não conhece sua própria bíblia?", eu respondi, procurando o versículo.

"Está em Lucas 12:47. Por que não lê você mesmo, John, aqui no ar?".

Ele ficou quieto por alguns segundos, então ele murmurou algo sobre "estar fora do contexto". Após mais alguns segundos ele disse que não leria no ar!

"Você está com medo!", eu disse. O apresentador do programa conseguiu que ele lesse o versículo. Isso foi obviamente desconcertante para o agitador-de-bíblias lidar com alguém que realmente conhecia algo sobre a bíblia. A maioria dos fundamentalistas pensa que se nós ateus apenas lêssemos o seu livro, nós nos converteríamos no mesmo momento.

Faça a si mesmo um favor e memorize alguns versículos pequenos da bíblia. Sempre que eles citarem o Salmo 13:1 ("Diz o insensato em seu coração: não há Deus"), responda com Mateus 5:22 ("(...)Aquele que lhe disser: Louco, será condenado ao fogo da geena") [Jesus falando]

Salmo 136:9: "Feliz aquele que se apoderar de teus filhinhos, para os esmagar contra o rochedo!", mostrando a crueldade bíblica com crianças.

Isaías 45:7 "formei a luz e criei as trevas, busco a felicidade e suscito a infelicidade" [Deus falando]. Este versículo resolve o "problema do mal" que os teólogos têm combatido há séculos. Deus o criou.

A bíblia é a arma deles; não se espera que você a cite contra eles.

Prepare uma refutação quando eles recitarem um versículo comum. O versículo fundagélico1 favorito é João 3:16: "Com efeito, de tal modo Deus amou o mundo, que lhe deu seu Filho único, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna". Em outras palavras, a única forma de Deus se conter em nos torturar foi descarregar sua raiva matando seu filho natural e todo aquele que aceitar essa noção perversa de justiça vai se mudar para perto do cara, para sempre.

Com tudo o que eles falam sobre a necessidade de padrões morais absolutos, poucos cristãos podem citar todos os Dez Mandamentos. Memorize-os e então veja se o crente pode recitá-los: 1) não há outros deuses, 2) fazer imagens, 3) nome do Senhor em vão, 4) Sábado, 5) honrar os pais, 6) matar, 7) adultério, 8) roubar, 9) falso testemunho, 10) cobiça.

Aprenda umas poucas contradições da bíblia. As genealogias contraditórias de Jesus (Mateus vs. Lucas) são um exemplo gritante. Há milhares de discrepâncias bíblicas. Meu livro "Losing Faith in Faith" (Perdendo a Fé na Fé), detalha mais de 50 exemplos não triviais.

Em segundo lugar, eu ficaria impressionado com o fato de os descrentes podem ser pessoas morais, felizes e produtivas. Se você é ativo em caridade, causas sociais, ou trabalho voluntário, então deixe-os saber disso - não para se gabar, mas para contrariar a fábula do "Bom Cristão". Tecnicamente, argumentos ad hominem não são apropriados em um debate racional, mas uma vez que os fundamentalistas alegam que sua fé faz diferença em caráter, o tópico não está fora dos limites.

Em terceiro, seja positivo. Contrarie o estereótipo de que ateus são coisas meramente destrutivas. Enfatize que nós todos queremos as mesmas coisas: verdade, valores, honestidade, beleza, significado. "Nós ambos queremos o que é bom", você pode dizer.

Concorde com eles tanto quanto possível. Por exemplo, quando eles trazem experiências religiosas profundas, diga-lhes que você sabe que esses sentimentos são muito fortes. Acontece em todas as religiões. Sugira gentilmente que fenômenos psicológicos (como sonhos ou alucinações), reais como são, não apontam necessariamente para nada fora da mente. Você pode usar essa tática com muitos argumentos: cura pela fé, a necessidade de absolutos, etc. Ao invés de ridicularizar aquilo que eles pensam ser importante, assuma a dianteira. Concorde que tais coisas são desejos humanos generalizados ou uma interpretação humana comum, e então cuidadosamente trabalhe a idéia em direção a uma explicação naturalista.

Obviamente, o livre-pensamento geralmente envolve critica direta e forte da religião, e muitos crentes vão tomar isso como algo pessoal, acusando-nos de sermos abusivos ou cheios de ódio. Lembre à pessoa que você não os está atacando. Diga a eles que você acha que a maioria dos cristãos hoje são pessoas boas apesar da bíblia. Eles são mais espertos que Jesus. Eles são melhores que Deus. Muitos deles ascenderam acima das brutalidades da cristandade para se tornarem pessoas boas e caridosas porque eles (como você) possui um respeito pelos valores humanos.

Ofereça-lhes A Isca

O que nós temos a oferecer que pode possivelmente tomar o lugar da religião? Se você vai atrair alguém para fora do curral das ovelhas, o que é a sua cenoura? Por que eles deveriam desistir de tradições confortáveis, esperança de vida eterna e a segurança da verdade absoluta? A única isca possível que nós temos é a liberdade de pensar por si próprio.

Se essa idéia não é atraente para a pessoa, então você não tem um livre-pensador em potencial na mira. Todos nós livres-pensadores ex-religiosos concordamos que "livre-pensamento" é o que nos trouxe para fora do rebanho. Pensar por si próprio pode ter uma sedução imensamente poderosa, comparável ao impulso sentido por adolescentes que estão prontos para sair de casa, para viver independentemente, para ser um adulto e livre. Não use o conhecimento como uma arma. Use-o como um chamariz.

Se você não expressa excitação em aprender, então como pode esperar que eles se unam a você? A sede de conhecimento pode ser infecciosa. Não os deixe com raiva - deixe-os com inveja!

Minha jornada para fora da religião começou com um minúsculo gosto do fruto proibido. Gradualmente eu fui fisgado. A alegria pura de aprender algo novo me fez querer mais. Finalmente, meu coração não pôde aceitar o que minha mente rejeitava.

O conhecimento traz um poder que é mais forte que a lealdade. O conhecimento é mais forte que a fé. É mais poderoso que emoção, tradição ou amor. Sim, é mais forte que o amor: você não pode amar o que você não conhece.

Tenho provas que o ateísmo evangelizador pode funcionar? Uns poucos anos após o anúncio da minha desconversão, meus pais, ambos fundamentalistas, tornaram-se abertamente livres-pensadores. Embora eles mereçam o crédito por seu próprio pensamento, minha deserção foi um catalisador, forçando sua própria reavaliação. Nós somos uma família unida, e nós mantivemos as portas do diálogo abertas.

Annie Laurie e eu temos uma filha, Sabrina, que tem três anos e meio [em 1993]. Nós estamos notando o que parece ser a ascensão de uma pequena pensadora independente2. (como isso poderia ter acontecido?) Nós achamos maravilhoso observar como as crianças, se afastadas das pressões da doutrinação, no estado natural de descrença, sentem-se confiantes em suas habilidades de pensamento, ansiosas por aprender, contentes em desafiar a autoridade, desejosas e capazes de aceitar explicações racionais, e capazes de diferencias o certo do errado.

O fato que a doutrinação pode ser eliminada... O fato que não existe um ditador universal, nem pecado, nem culpa cósmica, e nem inferno... O fato de que os seres humanos possuem o potencial para o bom... O fato de que o amor pode ser verdadeiramente compartilhado entre iguais que se respeitam mutuamente, com os dois pés no chão... O fato de que a razão humana é capaz... O fato que a integridade intelectual traz a única honesta paz de espírito... O fato de que não há Deus... Tudo isso são realmente Boas Novas.

Notas

1 - "Fundagélico" foi cunhado pelo membro da Fundação, Delos McKown, Ph.D., escritor e diretor do Departamento de Filosofia na Universidade Auburn, Alabama. Voltar

2 - En Junho de 1995, eu perguntei à Sabrina (com 5 anos) como dizer se algo é verdadeiro ou de faz-de-conta. Ela respondeu: "Coisas que são de faz-de-conta podem fazer coisas que você não pode". (Essa foi a maneira de ela dizer "coisas que não são possíveis") A pequena racionalista já sabe! O impossível é impossível. Voltar

***

Este artigo apareceu originalmente na edição de janeiro/fevereiro de 1993 da Freethought Today (Livre-Pensamento Hoje), publicada pela Freedom From Religion Foundation (Fundação para Liberdade da Religião). Reproduzido eletronicamente com permissão.

Dan Barker é ex-ministro fundamentalista, agora membro diretor da Freedom From Religion Foundation (Fundação para a Liberdade da Religião). Este artigo é baseado em seu discurso na 15ª Convenção anual da Fundação, em 5 de dezembro de 1992, em San Antonio, Texas.

Dan é autor de Losing Faith In Faith: From Preacher To Atheist (Perdendo a Fé na Fé: de Pastor a Ateu), e Just Pretend: A Freethought Book For Children (Faça de Conta: Um Livro de Livre-Pensamento para Crianças), publicado pela Fundação.

Informativo:

  • A publicação foi autorizada pelo autor do ensaio original.
  • O ensaio base original está disponível em http://www.ffrf.org/fttoday/back/evangel.html
  • Traduzido por: Arnaldo Inouye Elias
  • Traduções para o espanhol e sugestões para correções na tradução e na gramática são bem-vindas.
    Envie o seu comentário, a sua opinião ou correções na tradução/gramática deste texto!

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