Moralidade
"Todos nós temos um sentido do certo e do errado, uma consciência que nos coloca sob uma lei superior. Este apelo moral universal aponta para fora da Humanidade. É consistente que Deus, um ser não físico, se relacionasse conosco através de tal meio sublime."
Aqui está outro argumento baseado na ignorância. Os sistemas éticos baseiam-se no valor que os humanos atribuíram à vida: "bem" é aquilo que melhora a vida, e "mal" é aquilo que a ameaça. Não precisamos de uma deidade para nos dizer que é errado matar, mentir ou roubar. Os humanos sempre tiveram o potencial para usar as suas mentes para determinar o que é bondoso e razoável.
Não existe um "apelo moral universal" e nem todos os sistemas éticos concordam entre si. Poligamia, sacrifícios humanos, canibalismo (eucaristia), espancamento da esposa, auto-mutilação, guerra, circuncisão, castração e incesto são ações perfeitamente "morais" em algumas culturas. Será que deus está confuso?
É contraditório chamar a deus "ser não físico". Um ser tem de existir como alguma forma de massa no espaço e no tempo. Os valores residem no interior dos cérebros físicos, portanto se a moralidade aponta para "deus", então nós somos deus: o conceito de deus é simplesmente uma projeção de ideais humanos.
"Se não existe um padrão moral absoluto, então não existe certo e errado absolutos. Sem Deus, não há base ética e a ordem social desintegrar-se-ia. As nossas leis baseiam-se na Bíblia."
Este é um argumento a favor da crença num deus, não é um argumento a favor da existência de um deus. A exigência de uma moralidade "absoluta" só vem de religiosos inseguros. (Voltaire ironizou: "Se deus não existisse, seria preciso inventá-lo".) Pessoas maduras sentem-se confortáveis com o caráter relativo do humanismo, visto que este fornece um quadro de referência consistente, racional e flexível para o comportamento humano ético -- sem uma deidade.
As leis americanas baseiam-se numa constituição secular, não se baseiam na Bíblia. Quaisquer textos bíblicos que apoiem uma boa lei só fazem isso porque passaram no teste dos valores humanos, que são muito anteriores aos ineficazes Dez Mandamentos.
Não há evidência de que os teístas são mais morais do que os ateus. De fato, o contrário parece ser verdadeiro, conforme evidenciado por séculos de violência religiosa. A maioria dos ateus são pessoas felizes, produtivas e morais.
Mesmo que este argumento fosse verdadeiro, seria de pouco valor prático. Cristãos devotos e crentes na Bíblia não conseguem concordar entre si quanto ao que a Bíblia diz sobre muitas questões morais cruciais. Crentes tomam regularmente posições opostas em assuntos tais como pena de morte, aborto, pacifismo, controle de natalidade, suicídio medicamente assistido, direitos dos animais, ambiente, separação entre igreja e estado, direitos dos homossexuais e direitos das mulheres. Disto pode concluir-se que ou há uma multiplicidade de deuses distribuindo conselhos morais contraditórios, ou um único deus que está irremediavelmente confuso.
Primeira Causa
"Tudo teve uma causa, e toda a causa é o efeito de uma causa anterior. Algo deve ter começado tudo. Deus é a primeira causa, o estático que move, o criador e sustentáculo do universo."
A premissa maior deste argumento, "tudo teve uma causa", é contrariada pela conclusão de que "Deus não teve uma causa". As duas afirmações não podem ser simultaneamente verdadeiras. Se tudo teve uma causa, então não pode ter havido uma primeira causa. Se é possível pensar num deus sem causa, então é possível pensar o mesmo do universo.
Alguns teístas, vendo que todos os "efeitos" precisam de uma causa, afirmam que deus é uma causa mas não é um efeito. Mas ninguém jamais observou uma causa não causada, e inventar simplesmente uma causa não causada apenas assume o que o argumento quer provar.
(Para um exame detalhado do moderno "Argumento Cosmológico Kalam", veja o meu artigo Cosmological Kalamity.)
Aposta de Pascal
"Não se pode provar que Deus existe. Mas se Deus existe, o crente ganha tudo (céu) e o descrente perde tudo (inferno). Se Deus não existe, o crente nada perde e o descrente nada ganha. Portanto há tudo a ganhar e nada a perder ao acreditar em Deus."