Debate Publicado: 13/05/2000
Atualizado: 13/05/2000
CRIACIONISMO VS. EVOLUÇÃO: 1a RESPOSTA DO DEBATEDOR B PARA A 1a RESPOSTA DO DEBATEDOR A

de Waldemar Janzen


O Sr. Mozart Hasse, está correto nos parágrafos um dois e quatro de sua apresentação.

Cientistas criacionistas ou evolucionistas não se distinguem nesta área de atuação.

O "observá-lo (o mundo), formular hipóteses que expliquem os fenômenos observados, e então testar estas hipóteses em diversas situações para ver se o mundo se comporta de acordo com elas" é idêntico para os representantes de ambas as teorias.

Aonde surge a divergência é no campo da interpretação destes dados observados. É o momento quando mudamos o tempo do verbo do presente para o passado, de "se comporta" para "se comportou", e ai entramos no campo da ciência especulativa!

Cita o debatedor Mozart o caso do Big Bang. É verdade sim que os postulandos do Big Bang mantinham que a totalidade da matéria do universo estava concentrada numa esfera do tamanho aproximado de uma cabeça de alfinete instantes antes do mesmo. Pergunto: O Big Bang aconteceu conforme as leis da física ou as leis da física surgiram através do Big Bang? A resposta é óbvia.

Como vamos então postular o Big Bang sob as leis da física que só surgiram após o mesmo?

É verdade que a maioria dos cientistas crêem no Big Bang. N.B. crêem!

Há quem acha, e estes estão na maioria, de que se deve ter uma explicação naturalista para todas as coisas, inclusive as origens. Parte-se de um preconceito semelhante ao da igreja medieval ao condenar Copérnico com suas constatações de que a Terra gira em torno do Sol porque a maioria assim cria. Tenta-se, e o Sr. Mozart menciona isto também, sutilmente, invalidar uma teoria apelando à estatística de que a maioria e mais influente casta dos cientistas não concordam com a mesma.

Deve-se procurar a verdade aonde ela for encontrada, sem preconceitos, mesmo que isto implica em reconhecer áreas limítrofes, divisórias que marcam um campo de conhecimento não penetrável à física, à investigação científica.

Um exemplo: A matéria.

O que é matéria?

Segundo um dicionário: Matéria é aquilo de que os corpos físicos são compostos.

O átomo é o menor bloco da matéria.

Do que é composto um átomo?

De partículas subatômicas.

E o que são partículas subatômicas?

São nódulos de carga elétrica. Algo amaterial!

E o que são nódulos de carga elétrica, o que é algo amaterial?

Ninguém sabe.

A nata dos físicos nucleares da Europa (agora eu também estou apelando para esta artimanha) trabalha no acelerador de partículas, sob as rochas jurássicas, ao norte do lago de Genebra, na Suíça. Depois de muitas experiências com partículas subatômicas se renderam, humildemente, com a seguinte afirmação aproximada: "As partículas subatômicas, os nódulos de carga elétrica, são um mistério que conhecimento científico jamais desvendará. É um poço sem fundo para o conhecimento humano para sempre".

A excência do que é um nódulo de carga elétrica é uma ponta aberta de conhecimento científico, uma divisória entre o tangível e o intangível em termos de conhecimento científico. Não sabemos o que é e, segundo estes cientistas, nunca saberemos isto.

Pela ausência das leis da física antes do Big Bang, mantenho que a origem do universo é igualmente uma destas pontas abertas do conhecimento humano e que o seu surgimento teve uma causa externa ao mesmo, o chamar à existência dos nódulos de carga elétrica, partículas subatômicas, que formam os átomos, base de todo o universo.

A base para a teoria do Big Bang era fornecida pelo famoso desvio da luz de estrelas para o vermelho, também chamado de efeito Doppler. Este efeito se observa também pela passagem de veículos buzinando ou aviões sobrevoando em baixa altitude. Quando um objeto sonoro ou luminoso se aproxima ou afasta do observador as ondas por ele emitidas, sejam sonoras ou luminosas, se comprimem ou expandem respectivamente. Com isto as ondas emitidas apresentam uma freqüência maior o menor da freqüência emitida. Um afastamento de um objeto luminoso apresenta uma cor mais para o vermelho do que realmente emite, e tanto mais vermelho quanto maior for a sua velocidade de afastamento. Existem estrelas que tem uma cor acentuadamente avermelhada e estas eram tidas como estrelas se afastando de nós e, consequentemente, estão, de certa forma, do outro lado do pressuposto centro do Big Bang. Desta forma foram tidos como prova deste acontecimento. Ao contrário do que o oponente teria extraído de informações das últimas observações telescópicas, inclusive do Hubble, este desvio para o vermelho não é mais interpretado como estrelas se afastando da Terra. Uma das observações que levou ao abandono desta teoria foi a medição da velocidade transversal aparente de uma destas estrelas. Caso ela estaria à distância que o desvio para o vermelho estabeleceria para a mesma ela estaria se deslocando transversalmente à nossa observação à incrível velocidade de 100 milhões de vezes a velocidade da luz.

Logo o Big Bang não é uma a teoria cientificamente firmemente estabelecida apesar de crida em larga escala.

Também é vago e leviano taxar os criacionistas de não "ajustá-la (a sua teoria criacionista) à realidade, mas sim OMITIR e IGNORAR todas as provas contrárias, por mais óbvias que sejam, varrendo-as cinicamente para debaixo do tapete" sem citar um caso concreto sequer que comprove isto.

Alguns exemplos mais tornam claro que o inverso é mais provável.

  1. Contração do Sol. A taxa de contração atual do Sol nos é conhecida. É muito provável que esta taxa era maior no passado do que hoje. Mesmo pela taxa atual, há 20 milhões de anos atrás, o Sol teria um diâmetro igual ao diâmetro da órbita da Terra e esta estaria orbitando debaixo da superfície do mesmo!

  2. A Lua se afasta gradativamente da Terra devido ao consumo de energia das marés. A taxa de afastamento é bem conhecida. O limite de Roche estabelece a distância mínima que dois astros podem se aproximar sem que o menor se desintegre. Deste limite até a posição atual da Lua, à taxa atual de afastamento, a Lua orbitou em torno da Terra não mais do que por 30 mil anos! Pelo recente livro "Rare Earth", publicado por um biólogo e um astrônomo não criacionistas, não haveria condições de vida na Terra sem a Lua. O livro: Rare Earth: Why Complex Life Is Uncommon in the Universe by Peter Douglas Ward, Donald Brownlee, um resumo se encontra em e a sua compra pode ser efetuada em:

  3. Cálculo probabilístico. Para que uma célula, das mais simples, funcionar, é necessária uma seqüência precisa de uns 400 aminoácidos. Para fins de consideração, alguém montou a seguinte hipótese: Qual a probabilidade de um evento acontecer necessitando de uma seqüência de 100 dados em uma seqüência determinada, onde todas as partículas do universo (10 a potência 80) participassem a uma velocidade de 1 trilhão de vezes por segundo durante 4,5 bilhões de anos. A resposta é: uma chance em 10 a potência 157. Veja isto é para uma seqüência de apenas 100 itens. Para seqüências maiores a probabilidade cai exponencialmente. A física, matemática, considera fora de qualquer probabilidade um evento que tem uma chance entre 10 à potência 70. Dois cientistas ingleses, novamente não criacionistas, calcularam independentemente a probabilidade do surgimento espontâneo da vida. Quando um tomou conhecimento dos cálculos do outro se uniram e formularam a seguinte frase: É mais provável que um avião Jumbo se forma pelo passar de um furacão por um ferro velho do que uma única célula viva surgir espontaneamente durante toda a existência do universo.

  4. Dipolo Eletromagnético da Terra. O imã da Terra não é um imã permanente e sim uma eletroimã. A dedução é simples. Não existe imã permanente em estado de fusão e o núcleo da Terra tem uma temperatura de alguns milhares de graus centígrados, acima do estado de fusão do Ferro e do Níquel, metais predominantes do núcleo da Terra. O dipolo da Terra opera segundo a Lei da indução mútua de Gauss. Esta lei tem uma curva logarítmica. Fenômenos que se pode observar em qualquer bobina eletromagnética. A intensidade do campo magnético da Terra está decaindo continuamente. Medições relativamente precisas começaram por volta do ano de 1830. Por esta lei pode-se estabelecer o valor da intensidade do campo magnético da Terra a dois mil anos atrás, por exemplo e que media três vezes o valor atual. A curva da intensidade do campo eletromagnético tem o seu limite, sua assíntota, a 10 mil anos, no máximo a 20 mil anos atrás. Quer dizer que a Terra era uma estrela magnética caso tivesse existida há 20 mil anos atrás. Muito antes de a Terra ter se tornado uma estrela magnética, ela já não suportaria mais vida.

  5. Pó na Lua. Todos os corpos celestes atraem para si pó do espaço cósmico. A taxa de acúmulo é bem conhecida através de medições. Como a Lua não tem mecanismos de compactação de pó cósmico o mesmo se encontra solto na sua superfície. 4,5 bilhões de anos acumulariam uma camada de pó de uns 13 metros de profundidade. A espessura média da camada de pó na Lua, medida durante as viagens lunares, deu um valor de em torno de 1 cm apenas!

  6. A lista é quase infindável. Na área da vida recomendo ler Evolution: A Theory in Crisis by Michail Denton, . Denton não é criacionista! Outra leitura interessante é o livro Rare Earth : Why Complex Life Is Uncommon in the Universe by Peter Douglas Ward, Donald Brownlee, para se conscientizar que a teoria da evolução é longe de ser firmemente estabelecida no meio científico.

É também um contra-senso apelar para bilhões de anos para a idade do universo só para tornar mais crível a teoria da evolução se existem barreiras intransponíveis para estas elevadas idades do universo.

Não se pode aceitar o cálculo do tempo de viagem, necessidades de troca de pneus e óleo, gastos com comida e hospedagem, etc. por alguém que mantém que viajou por terra direto do Brasil para a África se um oceano nos separa.

Analogamente são os postulados e deduzidos longos períodos da existência do universo frente aos fatos que invalidam a manutenção de tais postulados.

A maioria dos cientistas crê que a evolução ocorreu apesar de refutarem-na no seu campo de especialização. Cada qual acha que as provas estão com seus colegas em outras áreas de especialização. Juntando as afirmações da maioria deles, e Henry Morris fez isto em um de seus livros, com mais de 5000 afirmações de evolucionistas dos mais famosos, intitulado: That Their Words May Be Used Against Them, suspeita-se que se tem à sua frente um fenômeno do tipo de Copérnico, com os evolucionistas do lado da igreja medieval!

Apesar de Pasteur ter provado pela pasteurização, há mais de um século atrás, que ratos e baratas não surgem espontaneamente de montes de lixo, tem cientistas muito competentes em suas respectivas áreas de especialização, que ainda acreditam nesta possibilidade apelando ao milagroso tempo: Dado o devido tempo, qualquer impossibilidade se torna possível! O colega debatedor também o faz!

Um cristal possui uma pseudo entropia mais baixa apenas do que o seu estado amorfo. Apesar de o cristal ter estruturalmente uma formação mais ordenada o seu estado amorfo tem a "informação" sobre como cristalizar o que é hoje considerado um estado mais baixo de entropia.

A Segunda lei da termodinâmica também não é somente válida para o calor. Ela também se aplica, p.ex., para o seu Jardim: quando não cuidado, esforço para impor a ordem, reduzir a entropia, ele vira mato.

O argumento de que localmente a entropia pode diminuir por influxo de calor é válida, mas somente para calor, energia. Para se ter vida necessita-se além da energia um conversor de energia. Só energia destrói, isto nós observamos fartamente nos incêndios. Nenhum conversor de energia surge a partir da energia, necessita-se de um projeto para tal e sua conseqüente execução. Um motor de automóvel não surge, mesmo apelando para a eternidade, queimando-se combustível. Da mesma forma também não surge uma célula viva, que, entre muito mais funções, é um conversor de energia, através do influxo (diminuição da entropia) em um determinado nicho do espaço cósmico. Portanto, tanto sistemas abertos como fechados estão sujeitos à Segunda lei da termodinâmica, sem exceção, e esta afirmação não precisa ser extraída de nenhum criacionista, muito pelo contrário, ele a cita com prazer e aplica com competência.

O óvulo humano, aliás, de todos os seres vivos são um mecanismo de conversão de energia, produção de réplicas, controle de qualidade de réplicas, enfim um mecanismo auto reprodutor que se utiliza da energia do Sol para se motorizar. Somente a engenharia embutida no óvulo possibilita o amadurecimento até um ser adulto e desta forma prova, novamente a coerência da aplicação das leis da termodinâmica.

A Teoria da macro (transformação de uma espécie em outra) evolução não pode ser testada. As "toneladas de registros fósseis" são uma prova convincente. Fato é que não há elos transitórios. O reconhecimento disto levou Carl Sagan, ou foi Stephen Jay Gold, a postular a teoria "Punctuated Equilibria" também chamada a teoria do "Hopefull Monster". Esta teoria postula que variações aconteceram rapidamente em pequenas populações sem deixar algum registro fóssil. Esta teoria não representa nada mais do que uma fuga sem vestígios e um reconhecimento de que os fósseis de transição inexistem.

Os citados quatro postulados da teoria da evolução se observam e se aplicam na micro evolução a qual é uma variabilidade das espécies apenas e dentro das mesmas apenas acontece. O erro de Darwin foi extrapolar os dados observados, aplicando-os à passagem de uma espécie para a outra. Esta transformação não tem dados observados e está fora do campo da ciência.

O método de datação de fósseis é o Carbono 14, e este se aplica somente para datações até uns 20 a 30 mil anos atrás! Não serve, por tanto, para qualquer consideração sobre a veracidade ou falsidade da teoria da evolução.

Outros métodos de datas mais longas são as famílias de elementos radioativos que tem uma meia vida até 80 milhões de anos.

Muitos evolucionistas reconhecem atualmente o raciocínio em círculo ao qual estão sujeitos. Sob a pergunta como você sabe a idade de um fóssil se responde: pela idade da camada geológica na qual se acha, e como você sabe a idade da camada geológica? Pela idade dos fósseis que ela contém!

Lamarck não propôs uma outra teoria para as origens e sim uma outra explicação para os mecanismos da evolução.

O evolucionismo não mostra mas propõe que complexidade e mecanismos teriam surgido aleatoriamente. Tudo o que se observa no universo, tudo o que se estuda neste sentido, contraria esta afirmação. Nós já vimos isto acima.

Da forma como não podemos explicar a origem de nódulos de carga elétrica, apesar de deles nos utilizarmos diariamente em larga escala, também não podemos explicar Deus e muitos dos seus atos. Caso pudéssemos ele seria igual a nós e não mais Deus.

Não é por acaso que o ser humano tem um desejo inerente de adorar alguém acima dele.

Existem dois tipos básicos de religiões: 1- As experimentais, 2- As reveladas.

Por definição, apenas a primeira é religião, palavra que deriva de re-ligar. É a procura do ser humano por divindades, é o perseguir do desejo inerente de adorar. Cada qual tenta fazer isto de sua forma. Experimenta-se estabelecer contatos com divindades, tenta-se estabelecer pontes com o divino donde deriva também o termo Pontifex Maximus, título do sumo sacerdote das famosas torres de Babel e atualmente do pontífice da igreja Católica Romana.

Exceto o judaísmo, e por seqüência, o cristianismo bíblico (não confundir com a igreja católica romana e muitos dos movimentos ditos evangélicos atuais) pertencem ao primeiro grupo.

O judaísmo e o cristianismo bíblico mantém o inverso: Deus manifestou a sua vontade, o seu plano, a seres humanos que não o procuravam.

Não dá para igualar e confundir, em teor, volume de informações e precisão de dados, históricos e proféticos, a Bíblia com outros escritos religiosos, sem revelar um completo desfalque de conhecimento do assunto.

Você é a favor de qual posição?

Evolucionista Criacionista Nenhuma das duas / Outra
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Introdução do debatedor A 04/05/2000
Introdução do debatedor B 04/05/2000
1a Resposta do debatedor A para a Introdução do debatedor B 08/05/2000
1a Resposta do debatedor B para a 1a Resposta do debatedor A 13/05/2000
2a Resposta do debatedor A para a 1a Resposta do debatedor B 18/05/2000
2a Resposta do debatedor B para a 2a Resposta do debatedor A 23/05/2000
Conclusão do debatedor A 28/05/2000
Conclusão do debatedor B 28/05/2000
Comentários do Presidente, dos Editores e dos leitores 01/06/2000