Debate Publicado: 03/06/2002
Atualizado: 03/06/2002
BIG BANG: INTRODUÇÃO

de Huáscar do Valle


É opinião quase unânime entre os astrônomos e astrofísicos de hoje que o universo teve início há cerca de quinze bilhões de anos, em uma magnífica explosão de um átomo primordial.

Segundo a teoria, em poucos segundos todo o universo foi criado a partir desta explosão. Da energia desta fantástica explosão originou-se toda a matéria, desde que energia é matéria e vice-versa, conforme demonstrado por Einstein, em sua famosa fórmula: e = mc2. Até o espaço e o tempo foram criados nesta explosão.

Alguns astrônomos famosos, como Fred Hoyle, Thomas Gold e Herman Bondi, dentre outros, não aceitam esta teoria, que ficou conhecida como a Teoria do Big-Bang. Eles preferem acreditar em um universo estável. Para alguns incréus, como eu, a teoria do big-bang não passa de uma versão disfarçada do criacionismo judaico-cristão, segundo o qual Jeová disse "Fiat lux", e o universo foi criado.

Apesar das belíssimas e impressionantes teorias e fórmulas dos astrofísicos, não posso aceitar que este indescritivelmente enorme universo tenha se originado de um só átomo, de repente, do nada. Isso é absolutamente irracional. Prefiro acreditar em Papai Noel.

A teoria do big-bang é sem dúvida uma armadilha. Se você aceita que o universo surgiu de repente, você tem que admitir que houve uma causa primeira, um DEUS, por exemplo, que o teria criado.

Poderíamos, sem muita convicção, aceitar a hipótese de que o universo, pelo menos este universo que conhecemos (existem outros, possivelmente) existisse em um estado concentrado, antes de uma explosão, alguns bilhões de anos atrás. Porém, imaginar que fosse do tamanho de um átomo, ou da fração de um átomo, e que tenha explodido de repente, dando origem, pelo menos, ao universo visível, de cerca de trinta bilhões de anos-luz, de diâmetro, parece-nos um absurdo indescritível, além de ridículo-próximo da demência. Como pode ter surgido esta insólita idéia?

A ciência nasceu na Antiga Grécia, alguns séculos antes de Cristo, quando algumas mentes brilhantes começaram a analisar o mundo livre dos grilhões da religião. Pitágoras revelou que a matemática governa o mundo. Leucipo e Demócrito imaginaram que a matéria seria feita de átomos. Hipócrates e Galego resgataram a medicina das mãos dos chamãs. Aristarco de Samos concluiu que a terra gira em torno do sol, e não o contrário, como se acreditava. Outro sábio grego calculou a distância da terra à lua e errou apenas por 200 quilômetros-um nada, em termos astronômicos. Sócrates, Platão e Aristóteles abandonaram a mitologia em favor da filosofia e Protágoras declarou que o homem é a medida de todas as coisas (semente do individualismo). Foi talvez a mais gloriosa época na história da humanidade, especialmente se considerarmos que o resto da humanidade, naquela época, só explicava o mundo por meio de supertições e religiões totalmente afastadas da realidade, como animismo, judaísmo, hinduismo, zoroastrismo, etc.

Infelizmente, este auspicioso começo foi interrompido pela aceitação da cosmologia judaico-cristã, baseada em um livro tão obsoleto quanto a Bíblia, que diz que Jeová criou o mundo em seis dias e descansou no sétimo. Desde que Constantino aceitou o cristianismo como religião oficial do Império Romano, a Europa permaneceu nas trevas do obscurantismo cristão por mais de um milênio. O mundo só foi despertar pelo estudo dos gregos clássicos pagãos com a Renascença e culminando com o Humanismo e o Iluminismo.

"No princípio Deus criou os céus e a terra. A terra, porém, estava sem forma e vazia; havia trevas sobre a face do abismo, e o Espírito de Deus pairava por sobre as águas." Gênesis. Bíblia.
Por mais de um milênio a Igreja Romana foi respeitada como a dona da verdade. A Bíblia era a voz de Deus e o papa considerado infalível. Aqueles que discordassem seriam considerados heréticos e submetidos a anos de terríveis torturas, antes de serem imolados na fogueira, como aconteceu, por exemplo, no ano 1600, com o brilhante livre-pensador Giordano Bruno, que ousou apoiar a teoria geocêntrica de Copérnico.

A Igreja não gostou quando, após a Renascença e depois da liberdade conquistada pela Reforma Protestante, a ciência como que explodiu, explicando muitos fenômenos da natureza sem a ajuda da Bíblia nem de Deus. Muito ao contrário! Entre as dúzias de descobertas que desafiavam a autoridade da Bíblia, Copérnico destronou a terra do centro do universo e Darwin demonstrou que não existem espécies fixas. O homem, longe de ser uma réplica de Deus, não passa de um macaco sofisticado.

A Igreja Católica, com a pompa e arrogância de dona da verdade, não gostou de perder sua autoridade como fonte última da verdade em questões de cosmologia. Os prelados católicos nunca se conformariam em descer do pedestal de arrogância e prepotência no qual estavam instalados há tantos séculos.

Nesta circunstância, sob a iniciativa do Papa Pio XI (pontificado de 1922 a 1939) a Igreja decidiu que não mais poderia permanecer alheia ao debate sobre a origem do universo. Afinal de contas, tinha a defender a mais que milenar cosmologia do Gênesis, o famoso "CRIACIONISMO", de acordo com a qual Deus fez o mundo do nada, de repente, e que depois seu espírito (sic) ficou pairando sobre as águas...

Nos anos 20 uma conferência sobre cosmologia foi convocada pelo Vaticano, a ser realizada na Pontificia Academia de Scienza di Roma. A idéia era reivindicar o direito do Vaticano de manifestar sua opinião sobre assuntos científicos, junto ao mundo acadêmico. Pio XI decidiu que a Igreja também tinha que gerar ciência dentro do Vaticano (?). Com este objetivo foi designado um monge, com grande conhecimento em teologia e matemática GEORGES LEMAÎTRE,, para estudar as teorias de Einstein e de outros cientistas, especificamente para fazer chegar ao mundo acadêmico a cosmologia da Igreja Católica Romana.

A fim de dar credibilidade à cosmologia bíblica, em 1927 Lemaître desenvolveu uma teoria segundo a qual o universo teria nascido da explosão de um ÁTOMO PRIMORDIAL (seja lá o que for). Obviamente se tratava de um esforço de compatibilizar a cosmologia bíblica com a linguagem da ciência, tanto assim que inicialmente ninguém deu importância a teoria tão esdrúxula, tanto mais vinda de quem veio: um monge arrivista no mundo dos cosmólogos e astrofísicos!

No entanto, mais tarde, alguns cientistas começaram a aceitar as idéias de Lemaître, que recebeu o nome de TEORIA DO BIG-BANG, hoje endossada por grandes astrônomos e astrofísicos, inclusive o famoso Stephen Hawking. Como aconteceu isso?

A teoria do big-bang sempre me pareceu uma loucura completa, pois não consigo aceitar a idéia de um universo incomensurável como o que conhecemos ter nascido de um átomo primordial, de repente, sem causa. Dada a vênia, não sou obrigado a acreditar em um contra-senso como este. Pesquisei o assunto e descobri fatos interessantes, que explicam como uma teoria tão irracional como a do big bang se infiltrou entre os cientistas.

Em primeiro lugar, estranhei que o autor da teoria fosse um monge. Com mil escorpiões, pensei, que está fazendo um monge em terreno tão importante e por quê merece crédito uma teoria tão esdrúxula? Descobri fatos muito interessantes, que se concatenam para explicar o que estava fazendo esta criatura tão longe de suas elucubrações clericais.

Einstein era decididamente contra a teoria do big-bang. Embora tivesse concluído que o universo estaria em expansão ou em contração, ele mesmo não acreditou em suas próprias conclusões e até criou uma "constante cosmológica" (uma força antigravidade), para justificar o universo estável no qual acreditava. Mais tarde abandonaria esta teoria e confessaria que foi seu grande erro (curiosamente , esta teoria tem sido ultimamente resgatada para explicar o universo em expansão).

Havia um impasse, no começo dos anos 20, quanto ao universo estável ou em expansão, quando, como dissemos acima, Edwin Hubble, astrônomo do observatório do Monte Wilson, por meio do telescópio Hooker, na ocasião o maior do mundo (espelho de 2,54m de diâmetro), descobriu e provou que o universo está em expansão. Ao contrário do que se pensava, Hubble demonstrou que Andrômeda não era uma nebulosa dentro da Via Láctea, a nossa galáxia, mas uma outra galáxia, milhões de anos-luz distante da terra, e que existem, além desta, milhões ou bilhões de outras galáxias, a distâncias ainda maiores. Por meio do efeito Doppler Hubble apurou ainda que as galáxias se afastam uma das outras e, quanto mais distantes, mais velozmente se distanciam umas das outras. De uma tacada, Hubble assombrou o mundo, aumentando zilhões de vezes o tamanho do universo.

A revelação de Hubble pegou Einstein, que já havia renunciado à sua teoria da constante cosmológica, de surpresa.

Lemaître, com invejável senso de oportunidade, quando soube que Einstein fora ao Monte Wilson para conhecer as descobertas de Hubble, zarpou para a Califórnia.

No começo dos anos 30, conforme narrado por Timothy Ferris (The Whole Shebang, 1997), em uma palestra nos escritórios do Monte Wilson, Lemaître declarou solenemente a uma audiência que incluía Einstein:

"No começo de tudo tivemos como que fogos de artifício de beleza inimaginável. Então, de súbito, ocorreu uma explosão que encheu os céus com fumaça. Chegamos tarde demais para contemplar o esplendor do dia do nascimento da criação!"

A oratória de Lemaître foi tão brilhante que até Einstein ficou hipnotizado pele nova versão da cosmologia bíblica. Nas próprias palavras de Tymothy Ferris:

"A narração do gênesis, por Lemaître foi longa porém pobre em detalhes-e onde ele abordou detalhes estava errado-porém Einstein, para quem o estilo era tão importante quanto a substância, levantou-se no fim da palestra e declarou que foi a mais bela e mais satisfatória interpretação que ele jamais tinha ouvido".

Simplesmente inacreditável! Depois de resistir tantos anos, Einstein e grande parte da intelligentsia científica capitularam ante a prepóstera teoria do big-bang, por influência de ninguém menos que George Lemaître, um monge arrivista a serviço do obscurantismo religioso. Impressionante!

Começou a funcionar a síndrome do magister dixit: George Gamow, famoso astrônomo, saiu-se com a teoria de que todos os constituintes do universo foram criados nos primeiros minutos depois do big-bang e Alan Guth, da Universidade Cornell, criou a teoria do universo inflacionário, segundo a qual "todo o universo deve ter crescido de uma bolha infinitesimal, um trilhão de vezes menor que um próton" (apud Herbert Friedman, "The Astronomer's Universe", 1998). Guth sustentou que o universo surgiu de um quantuum vauum, sem causa (!!!). A existência de um criador, ninguém menos que Deus, é implícita. Que me perdoem os cientistas. Isto me parece um concurso de doidos. Onde fica o bom-senso?

Muitos cientistas enguliram a isca de Lemaître , com anzol, encastoado, linhada. e chumbada, e deram credibilidade a esta nova versão bíblica da criação, agora transfigurada em uma explosão de um átomo primordial, um trilhão de vezes menor que um próton. Caramba! É o retorno triunfal da teoria de SãoTomás de Aquino, da causa primeira.

Outro cientista que engoliu a isca de Lemaître foi Bernard Lowell que, inocentemente, concluiu que a criação de matéria, no big-bang, só poderia ser realizada pelo poder de um fator externo, Deus, naturalmente. Este foi exatamente o objetivo de Pio XI: concluir pela autoria de Deus para a criação do universo (não consta se Lowell explicou quem criou Deus).

O famoso Stephen Hawing, professor de matemática da cadeira Lucasiana da Universidade de Cambridge (abrilhantada, no passado, por Newton), desde 1979, também caiu na armadilha e criou brilhantes equações para demonstrar que o universo nasceu em um momento de "singularidade" (uma palavra moderna para "milagre"). Segundo esta teoria, no momento da criação as leis químicas e físicas não prevaleceram.

A contribuição de Hawking para endossar a nova versão da criação bíblica foi tão apreciada que até ganhou uma medalha, de ninguém menos que o papa João Paulo II. É preciso dizer mais?

Ultimamente, até leigos citam a teoria do big-bang como uma justificativa para acreditar em Deus. Se o mundo surgiu do nada, que havia antes? Aquilo que foi criado tem que ter um criador. Esta, exatamente, a armadilha de Lemaître.

Este monge está de parabéns. Conseguiu infiltrar na ciência a idéia sem sentido de um universo bíblico criado do nada. Por quem? Por Deus, naturalmente! Ele conseguiu passar a perna em algumas das mais brilhantes mentes do século! Ponto para Lemaître.

Finalmente, uma citação de Joseph Silk (COSMIC ENIGMAS, 1994):

"Em muitos respeitos, o big-bang é, para a moderna cosmologia, o que a mitologia era para os antigos. Acreditar que nós compreendemos os primeiros momentos do universo, os primeiros micro-segundos do tempo cósmico, requer uma fé imensa na busca dos cientistas para a última união das forças da natureza, porque evidência direta definitivamente não existe".

O universo em expansão é fora de questão. Contudo, descobriu-se recentemente que a velocidade com que as galáxias estão se afastando está aumentando em vez de diminuir. Esta descoberta aumenta o mistério. Um universo em expansão acelerada não é coerente com um modelo de um universo em explosão, tanto mais que se supunha que a expansão estaria desacelerando.

Acreditar que o universo teve um começo é equivalente a acreditar que ele teve um criador - DEUS! Portanto, a essência do teoria do big-bang é FÉ, ou seja, religião!

Não tenho a pretensão de saber se, e quando, o universo foi criado. Ninguém sabe. A idéia de que tudo tem que ter um começo pertence à nossa dimensão humana. Não ao universo. Já dizia Lavoisier: Neste mundo nada se cria, nada se perde, tudo se transforma. Será que esta lei foi revogada, por Lemaître ?

Não hesito em afirmar que acreditar que o mundo foi criado do nada, de repente, é um endosso à cosmologia bíblica. Penso que uma pessoa racional não pode aceitar a fraude do big-bang. Dada a impossibilidade de determinar se e quando o universo foi criado, prefiro trabalhar com a hipótese de que devem existir muitos universos, além do universo visível que conhecemos e de que eles são infinitos em tempo, espaço e tamanho, pois imaginar limites é impossível.

Você considera a teoria do Big Bang satisfatória
para explicar a origem e a evolução do Universo?

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Introdução do debatedor A 03/06/2002
Introdução do debatedor B 03/06/2002
1a Resposta do debatedor A para a Introdução do debatedor B 07/06/2002
1a Resposta do debatedor B para a 1a Resposta do debatedor A 12/06/2002
2a Resposta do debatedor A para a 1a Resposta do debatedor B 17/06/2002
2a Resposta do debatedor B para a 2a Resposta do debatedor A 28/06/2002
Conclusão do debatedor A 07/07/2002
Conclusão do debatedor B 07/07/2002
Comentários do Presidente, dos Editores e dos leitores 22/07/2002