Chegamos ao fim do debate. Acharia tentador, tendo em vista a última resposta do debatedor B, explicar novamente – talvez com um detalhamento maior – as (várias) evidências que sustentam a teoria do Big Bang. Não o farei, apesar de que o ataque do debatedor B à teoria se deva em grande parte a uma incompreensão da mesma; some-se a isso uma questão de crença pessoal e exacerbação da própria capacidade de concepção intelectual. Combato estas duas últimas posições com as seguintes informações:
Não procede classificar uma teoria como errônea quando não somos capazes de conceber suas conseqüências de imediato. A natureza está repleta de fenômenos que desafiam nossa capacidade de compreensão. Em outras palavras, o universo não se limita àquilo que cabe dentro de minha cabeça;
Desviar os olhos das evidências implica em abandono da ciência. Afirmar que as observações científicas são distorcidas em favor de determinada teoria é uma atitude que requer um grande conhecimento de causa. É preciso, em primeiríssimo lugar, saber quais são estas observações. Informar-se, portanto, é essencial, antes de proferir determinados julgamentos.
O mecanismo de eliminação de disparates mais eficaz de que podemos dispor é a observação cuidadosa e criteriosa do comportamento dos fenômenos naturais. É essa a prova de fogo à qual está submetida a teoria do Big Bang. Expus ao longo do debate a confrontação da teoria com várias propriedades cosmológicas do universo, e mostrei que a teoria do Big Bang é capaz de descrever tais propriedades de forma notável. O leitor interessado encontrará um vasto material disponível na internet, além da bibliografia abaixo listada. Agradeço aos demais editores da Sociedade da Terra Redonda pela escolha de meu nome neste debate. Obrigado a Roberto Moschen Jr. e Leandro Kerber pelos comentários construtivos.
Bibliografia
Allday, J., Quarks, leptons and the Big Bang, Institute of Physics Publishing Bristol and Philadelphia, 1999
Pais, A., Sutil é o senhor: a ciência e a vida de Albert Einstein, Editora Nova Fronteira, 1982
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Van den Bergh, S., Cosmology – in search of a new paradigm?, The Journal of the Royal Astronomical Society of Canada, 84, 275
Van den Bergh, S., The age of the universe, The Journal of the Royal Astronomical Society of Canada, 79, 153
Narlikar, J. V., The very early universe: problems and perspectives, Bulletin of the Astronomical Society of India, 13, 1
Narlikar, J. V., Inflation for astronomers, Annual Review of Astronomy and Astrophysics, 29, 325
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Padmanabhan, T., Sethi, S. K., Constraints on wB, wm and h from Maxima and Boomerang, The Astrophysical Journal, 555, 125
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Ellis, G. F. R., Alternatives to the Big Bang, Annual Review of Astronomy and Astrophysics, 22, 157
Burles, S. et al, Big Bang nucleosynthesis predictions for precision cosmology, The Astrophysical Journal, 552, L1
Você considera a teoria do Big Bang satisfatória para explicar a origem e a evolução do Universo?