Debate Publicado: 07/07/2002
Atualizado: 07/07/2002
BIG BANG: CONCLUSÃO

de Huáscar do Valle


Apesar dos bem fundamentados e bem expostos argumentos do debatedor Sandro Rembold, creio que chegamos ao fim do debate no mesmo ponto em que começamos. Ambos mais convictos das teses iniciais, como sói acontecer na maioria dos debates.

O Professor Sandro, aparentemente, continua a pensar que o universo foi criado (por algum tipo de Deus, naturalmente, pois toda criação tem um criador, segundo o mais elementar bom-senso) há cerca de quinze milhões de anos, a partir de um átomo primordial que se expandiu e formou um universo, no mínimo, de 30 bilhões de anos-luz de diâmetro.

Ele deve acreditar também que, no momento sagrado da criação, as leis da natureza, milagrosamente, não se aplicaram ("singularidade... " para os leigos, milagre!). Nesta fantástica explosão foi criado também o espaço-tempo.

Milagrosamente, toda a massa que existe neste cosmos de trinta bilhões de anos-luz de diâmetro estava dentro do átomo primordial. Caramba!

Curiosamente, com esta teoria, a teoria geocêntrica de Ptolomeu foi novamente entronizada. Copérnico, Galileu, Giordano Bruno, Newton, Drawin, devem tremido em seus túmulos. A Terra voltou a ser o centro do Universo, como querem todas as religiões. Todo este universo incomensurável foi criado para desfrute dos humanos. Por isso a Terra fica no meio do Universo: quinze bilhões de anos luz para qualquer direção. Faz muito bem ao ego.

Logicamente, depois do limite aproximado de 15 bilhões de anos-luz, em cada direção, não existe nada. Com certeza o espaço-tempo ali acaba, coisa que não consigo imaginar.

Quê existe além do fim do espaço e do fim do tempo? Equações matemáticas, no mínimo! Bilhões de galáxias estão se dirigindo para trombar nessas equações que pairam sobre o nada, tal qual Iavé pairou sobre as águas, depois do momento mágico da criação...

Será que os cientistas, que defendem esta fantasia, realmente acreditam nela? Custo a acreditar. A esta teoria prefiro a Bíblia, em que Iavé fez o mundo e ficou pairando sobre as águas, como se fosse um helicóptero, ou um beija-flor ou talvez como o Dadá maravilha, que também parava no ar, conforme garante aos seus fãs.

Adoro a imagem de Iavé pairando sobre as águas. Não sei se Gustave Doré fez uma ilustração neste sentido. Se fez, deve ser linda. Como Doré já havia falecido, quem pintou o quadro da criação, com palavras candentes, foi o abade Lemaître, que emocionou até Einstein e que, num arrobo de emoção, disse, agitando os braços, que chegamos apenas tarde para ver o esplendor da explosão maravilhosa da criação, enchendo o espaço com fumaça e relâmpagos... Que maravilha! Daria um filme fantástico, com efeitos especiais de Spielberg ou Cameron, ou o George não sei o quê, das guerras espaciais.

Einstein, que devia ter bebido fora da conta, aprovou os efeitos especiais de Lemaître e o cortejo de seguidores começou a ecoar amém e a criar equações e fórmulas para provar o impensável. Com mil escorpiões! Como pode alguém acreditar nessa bobagem?

Enquanto isso, o papa, honrando seu entecessor, que urdira toda a trama, colocou no peito de Stephen Hawking uma medalha como prêmio pela consagração científica do mestre lucasiano ao criacionismo bíblico. Que cerimônia ridícula! O príncipe do obscurantismo condecorando um cientista! Algo não bate bem nesta equação...

Quanto a mim, estou convicto que o Universo não foi criado. Sempre existiu. A criação é uma dimensão humana, que conduz a erros quanto projetada no Cosmos. O espaço e o tempo, ou espaço-tempo, também não foram criados, pois não existem como coisas. São abstrações. Como disse Einstein, que é do ramo: "O tempo e o espaço são meios pelos quais pensamos e não condições nas quais vivemos".

As "provas" apresentadas pelo debatedor, a meu ver, não são provas. São, no máximo, indícios que, há 15 bilhões de anos o Universo começou um ciclo de expansão, mas não há nada que indique que esta massa incalculável de partículas que existe em bilhões ou trilhões de galáxias no Universo visível foram criadas a partir de uma partícula que, antes deste ciclo, não havia nada (exceto Iavé, o criador). Prefiro dizer "não sei" a afirmar um absurdo como este.

Como explicar que pessoas tão inteligentes e cultas aceitem esta prepóstera teoria do big-bang? Existem três explicações.

Primeira, o EFEITO PITÁGORAS: "Magister dixit". O que o mestre falou é verdade. Cabe-nos ter fé e criar belas e esotéricas equações para confirmá-lo. Agora, a ciência oficial assumiu a infalibilidade da religião. Aos cientistas, que agora ocupam o "primeiro estado", o "corpo espiritual de Cristo", com o quer a Madre Igreja, , cabe PENSAR e nós, a "grei", do "terceiro-estado", cabe ACREDITAR. Acreditar em qualquer coisa, sob pena de irmos para o inferno! Voltamos à Idade Média (eu, que nunca acompanho o rebanho, estou fora).

Segunda, o EFEITO HITLER: "Aos humanos é mais fácil acreditar em uma grande mentira que em uma mentira pequena". Apoiar o criacionismo bíblico com jargão científico é uma lorota tão grande que humilharia Hitler, pela ousadia e imaginação. Mas como funciona!

Terceiro: EFEITO TERTULIANO: Tertuliano, um dos fundadores da Igreja Católica, um notório doidão dos primeiros séculos, que mudou de time várias vezes, ficou famoso quando disse: "Cristo foi crucificado, morreu, ressuscitou no terceiro dia e subiu aos céus. Creio, porque é absurdo!" Também devemos acreditar no big bang, não porque é racional, mas porque é absurdo... Amém!

Você considera a teoria do Big Bang satisfatória
para explicar a origem e a evolução do Universo?

Sim Não Nenhum dos dois / Outro
Ver os Resultados Atuais

Introdução do debatedor A 03/06/2002
Introdução do debatedor B 03/06/2002
1a Resposta do debatedor A para a Introdução do debatedor B 07/06/2002
1a Resposta do debatedor B para a 1a Resposta do debatedor A 12/06/2002
2a Resposta do debatedor A para a 1a Resposta do debatedor B 17/06/2002
2a Resposta do debatedor B para a 2a Resposta do debatedor A 28/06/2002
Conclusão do debatedor A 07/07/2002
Conclusão do debatedor B 07/07/2002
Comentários do Presidente, dos Editores e dos leitores 22/07/2002