Scientia
 
 
Estatísticas Oficiais da STR Publicado: 29/11/2002
Atualizado: 29/11/2002
   
                     
   Clique no banner do anunciante acima e ajude a Sociedade da Terra Redonda a crescer!
Áreas da STR
 Principal
 S.T.R.
 Atheos
 Scientia
 Libertas
 Fórum
 Revista
 Ceticismo Aberto
 Os Perigosos
 Eventos
 Notícias
 Revolucione
 Frases
 Membros
 Sobre Nós
 Eleve Sua Voz
 Debate
 Compras
 Humor
 Bad Religion
 Junte-se a Nós
 Chat
 Fale Conosco
 Links
 Respostas
Novidade: Revista

Adquira a sua! É grátis!
Envolva-se com a STR!
Recomende este texto para um amigo!


Pesquise em Outros Sites
Dicionário do Cético

Dicionário do Cético
Quackwatch

Quackwatch
Parceria na Internet
RESPOSTAS PARA 15 ABSURDOS CRIACIONISTAS
Opositores ao evolucionismo querem abrir espaço para o criacionismo passando a perna na verdadeira ciência, mas seus argumentos não ajudam.
Milhares de pessoas visitam a STR diariamente. Seu banner pode ser este aqui! Patrocine todos os textos da Área Scientia!
Apenas R$ 10,00 por mês.

de John Rennie


Quando Charles Darwin apresentou a teoria da evolução através da seleção natural há 143 anos atrás, os cientistas da época discutiram a respeito ferozmente, mas as sólidas evidências da paleontologia, genética, zoologia, biologia molecular e outros campos gradualmente estabeleceram a verdade da evolução sem sombra de dúvida. Hoje venceu-se a batalha em todo os lugares - exceto na imaginação pública.

Embaraçosamente, no século XXI, na Nação mais cientificamente evoluída que o mundo jamais conhecera, criacionistas ainda conseguem persuadir políticos, juízes e cidadãos comuns que a evolução é uma fantasia inválida e precariamente sustentada. Usam como argumento principal idéias como "projeto inteligente" a ser ensinado como alternativa para o estudo da evolução em salas de aula. Enquanto este artigo é publicado, o Conselho Educacional de Ohio debate quando realizar tal mudança. Alguns antievolucionistas, tais como Philip E. Johnson, um professor de direito da Universidade da Califórnia em Bekerley e autor de Darwin em Julgamento, admite que eles pretendem que a teoria do projeto inteligente sirva de "gancho" para a reabertura das discussões a respeito de Deus nas aulas de ciência.

Professores aflitos a outros podem, de modo crescente, achar-se no lugar certo para defender o evolucionismo e refutar o criacionismo. Os argumentos que os criacionistas usam são tipicamente ilusórios e baseados em más interpretações da (ou verdadeiras mentiras a respeito) evolução, mas o número e a diversidade de objeções podem colocar até mesmo pessoas bem informadas em desvantagem.

Para ajudar a responder os criacionistas, a lista a seguir refuta algumas das mais comuns argumentações "científicas" levantadas pelos antievolucionismo. Também leva os leitores a promover meios de informação e explica porquê a ciência não tem lugar na sala de aula.

1. A evolução é apenas uma teoria. Não é um fato ou uma lei científica.

Muitas pessoas aprenderam no estudo fundamental que uma teoria cai em meio a uma hierarquia de infalibilidade - acima de uma mera hipótese mas abaixo de uma lei. Os cientistas não usam os termos dessa forma, de qualquer forma. De acordo com a Academia Nacional de Ciências (NAS), uma teoria científica é "uma explicação bem substancial de algum aspecto do mundo que pode incorporar fatos, leis, inferências e hipóteses testadas." Nenhuma quantidade de validação transforma uma teoria em lei, que é uma generalização descritiva da natureza. Então quando os cientistas falam sobre a teoria da evolução ou a teoria atômica, ou a teoria da relatividade, no que diz respeito o assunto - eles não estão expressando restrições sobre sua veracidade.

Além do que, a teoria da evolução, analisando a idéia de descendente com modificação, alguém pode também falar sobre o fato da evolução. A NAS define um fato como "uma observação que tem sido repetidamente confirmada e para todas os propósitos práticos é aceitada como 'verdadeira'." Os registros fósseis e muitas outras evidências atestam que os organismo têm evoluído através dos tempos. Embora ninguém tenha observado tais transformações, a evidência indireta é obrigatoriamente clara e sem ambigüidade.

Todas as ciências freqüentemente contam com a evidência indireta. Físicos não podem ver partículas subatômicas diretamente, por exemplo, por isso eles verificam sua existência através da observação de caminhos indicadores que as partículas deixam em câmaras de névoa. A ausência de observação direta não faz as conclusões dos físicos menos corretas.

2. A seleção natural é baseada em um raciocínio circular: os mais aptos são os que sobrevivem, e aqueles que sobrevivem são considerados os mais aptos.

"A sobrevivência do mais apto" é uma maneira convencional de descrever a seleção natural, mas uma descrição mais técnica fala das diferentes taxas de sobrevivência e reprodução. Que vai além de definir as espécies como mais ou menos aptas, mas descrever quantas descendências podem surgir sob certas circunstâncias. Deixe um casal de tentilhões de bicos pequenos de rápida procriação e um outro casal de tentilhões de bicos maiores de procriação mais lenta em uma ilha cheia de sementes como alimento. Dentro de poucas gerações os de procriação rápida poderão estar controlando a maior parte da fonte de comida. Ainda que, se os maiores bicam mais facilmente as sementes, a desvantagem poderá apontar para os de procriação lenta. Em um pioneiro estudo dos tentilhões nas Ilhas Galápagos, Peter R. Grant, da Universidade de Princeton observou esses tipos de mudanças na vida selvagem [ veja seu artigo "Seleção Natural e os Tentilhões de Darwin"; Scientific American, outubro 1991].

A chave é que a aptidão adaptativa pode ser definida sem referência a sobrevivência: bicos maiores são melhores adaptados às sementes duras, sem levar em consideração de quando esta peculiaridade tem valor de sobrevivência sob certas circunstâncias.

3. A evolução não é científica, pois não é testável nem falseável. Faz afirmações acerca de eventos que não foram observados e nunca poderão ser recriados.

Esta generalização sobre a evolução ignora importantes distinções que dividem o campo em pelo menos duas áreas amplas: microevolução e macroevolução. A microevolução observa mudanças em espécies com o passar do tempo - mudanças que podem ser prelúdios para a evolução de novas espécies. A macroevolução estuda como que grupos taxonômicos acima do nível da espécies mudam. Sua evidência vem freqüentemente do registro fóssil e das comparações no DNA para reconstruir como vários organismos podem ser relacionados.

Nestes dias, até mesmo a maioria dos criacionistas admitem que a microevolução tem sido sustentada através de testes em laboratório (assim como em estudos em células, plantas e moscas de frutas) e no campo (como nos estudos de Grant da evolução das formas dos bicos entre os tentilhões dos galápagos). A seleção natural e outros mecanismos - tais como as mudanças cromossômicas, simbiose e hibridação - podem levar a profundas mudanças em populações com o passar do tempo.

A natureza histórica do estudo macroevolutivo envolve inferência de fósseis e DNA, não somente observação direta. Ainda que as hipóteses das ciências histológicas (o que inclui astronomia, geologia e arqueologia, assim como a biologia evolutiva), ainda possam ser testadas através da checagem se estão de acordo com as evidências físicas ou se levam a prognósticos verificáveis sobre futuras descobertas. Por exemplo, a evolução implica que entre os mais primitivos ancestrais conhecidos dos humanos (aproximadamente cinco milhões de anos de idade) e do aparecimento dos anatomicamente modernos humanos (cerca de 100.000 anos atrás), alguém poderia encontrar uma sucessão de criaturas hominídeas com características progressivamente menos semelhante ao macaco e mais modernas, que é sem dúvida o que os registros fósseis mostram. Mas ninguém poderia encontrar - e realmente não encontra - fósseis do homem moderno enterrado em camadas do período jurássico (144 milhões de anos atrás). A biologia evolutiva rotinamente faz predições de longe mais refinadas e precisas que esta, e pesquisadores as testam constantemente.

A evolução poderia ser refutada de outras maneiras também. Se pudéssemos documentar a geração espontânea de apenas uma forma complexa de vida de matéria inanimada, então pelo menos algumas poucas criaturas vistas no registro fóssil poderiam ter sido originadas dessa forma. Se aliens super inteligentes aparecessem e reinvidicassem crédito pela criação da vida na Terra (ou ao menos de uma espécie em particular), a explicação puramente evolucionista seria posta em dúvida. Mas ninguém produziu tal evidência.

Deve ser notado que a idéia da falseabilidade como característica de definição da ciência originou-se com o filósofo Karl Popper nos anos 30. Elaborações mais recentes de seu pensamento têm expandido a mais estreita interpretação de seu princípio precisamente porque eliminaria muitas ramificações de claros esforços científicos.

4. Crescentemente, cientistas têm duvidado da veracidade da evolução.

Nenhuma evidência sugere que o evolucionismo esteja perdendo adeptos. Pegue qualquer edição de uma publicação biológica peer-reviewed, e você encontrará artigos que suportam e alongam os estudos evolucionistas ou que seguem a evolução como um conceito fundamental.

Em outras palavras, publicações científicas sérias que contestam o evolucionismo não existem. Em meados dos anos 90, George W. Gilchrist da Universidade de Washington pesquisou milhares das principais publicações , procurando por artigos sobre o projeto inteligente ou sobre a ciência criacionista. Entre aquelas centenas de milhares de relatórios científicos, não encontrou nenhum. Nos últimos dois anos, pesquisas independentes feitas por Barbara Forrest da Universidade do Sudeste de Louisiana e Lawrence M. Krauss da Universidade Case Western reserve tiveram resultados similares.

Os criacionistas rebatem dizendo que a comunidade científica de mente fechada rejeita suas evidências. Ainda que de acordo com os editores da Nature, Science e outras publicações principais, poucos manuscritos são submetidos. Alguns autores anti-evolução têm publicado papers em revistas sérias. Estes papers, entretanto, raramente atacam a evolução diretamente ou desenvolvem os argumentos criacionistas; melhor, eles identificam certos problemas evolutivos como não resolvidos e difíceis (o que ninguém discute). Em resumo, os criacionistas não estão dando ao mundo científico nenhuma boa razão para levá-los à sério.

5. As divergências mesmo entre biólogos evolucionistas mostram como é pouco sólida a ciência que sustenta a evolução.

Biólogos evolucionistas passionalmente debatem diversos tópicos: como ocorre a evolução das espécies, os índices da mudança evolutiva, os relacionamentos ancestrais entre os pássaros e os dinossauros, se o homem de Neandertal era uma espécie distante do homem moderno e muito mais. essas discussões são iguais aquelas encontradas em todos as outras ramificações da ciência. A aceitação da evolução como uma ocorrência factual e um princípio-guia é, entretanto, universal na biologia.

Infelizmente, criacionistas desonestos têm mostrado disposição em levar os comentários dos cientistas para fora do contexto, exagerando e distorcendo as divergências. Qualquer um que esteja informado a respeito do trabalho do paleontologista Stephen Jay Gould da Universidade de Harvard sabe que além de ter sido co-autor do modelo equilíbrio-pontuado(?), Gould foi um dos mais eloqüentes defensores e articuladores da evolução. (O equilíbrio-pontuado explica os padrões nos registros fósseis pela sugestão que a maioria das mudanças evolutivas ocorrem geologicamente em breves intervalos - que podem, entretanto, levar centenas de gerações.) Ainda assim o criacionistas deliciam-se em dissecar as frases do volumoso argumento de Gould para fazê-lo soar como se ele tivesse duvidado da evolução, e apresentam o equilíbrio pontuado como se permitisse que novas espécies se materializassem da noite pro dia ou que pássaros nascessem de ovos de répteis.

Quando confrontados com uma citação de uma autoridade científica que parece questionar a evolução, insistem em ver a declaração dentro de um contexto. Quase que invariavelmente, o ataque à evolução acaba ilusório.

6. Se o homem veio do macaco, por que ainda há macacos?

Este argumento surpreendentemente comum reflete vários níveis de ignorância sobre a evolução. O primeiro erro é que a evolução não ensina que os homens vieram do macaco, mas que ambos têm um ancestral em comum.

O erro mais grave é que a esta objeção é igual a se perguntássemos "Se as crianças descenderam dos adultos, por que ainda há adultos?" Novas espécies evoluem através da fragmentação de indivíduos existentes, quando populações de organismos ficam isoladas da ramificação principal da sua família e adquirem diferenças o suficiente para permanecerem distintos para sempre. A espécie de origem poderá sobrevier indefinidamente depois disso, ou poderá extinguir-se.

7. A evolução não consegue explicar como a vida apareceu pela primeira vez na Terra.

A origem da vida permanece um grande mistério, mas bioquímicos têm aprendido sobre como os primitivos ácidos nucléicos, aminoácidos e outros tijolos de construção da vida poderiam ter se auto-organizado em unidades auto-replicantes e auto-suficientes assentando a fundação para a bioquímica celular. Análises astroquímicas sugerem que certas quantidades desses componentes poderiam ter se originado no espaço e caído na Terra em cometas, um cenário que poderia resolver o problema de como tais elementos ergueram-se sob condições que predominaram quando nosso planeta era jovem.

Os criacionistas às vezes tentam invalidar tudo na evolução apontando para a atual incapacidade da ciência de explicar a origem da vida. Mas mesmo se a vida na Terra pudesse ter uma origem não evolutiva (por exemplo, se alienígenas tivessem introduzido a primeira célula há bilhões de anos atrás), a evolução a partir de tal evento seria vigorosamente confirmada através dos estudos de macro e microevolução.

8. É matematicamente inconcebível que qualquer coisa tão complexa como uma proteína, separada de uma célula viva ou de um ser humano, pudesse surgir por acaso.

O acaso tem um papel na evolução (por exemplo, nas mutações aleatórias que podem originar novas feições), mas a evolução não depende do acaso para criar organismos, proteínas ou outras entidades. Ao contrário: a seleção natural, principal mecanismo de evolução conhecido, muda não-aleatoriamente preservando características "desejáveis" (adaptativas) e eliminando as "indesejáveis" (não-adaptativas). Ao passo que as forças da seleção permanecem constantes, a seleção natural pode impulsionar a evolução em uma direção e produzir estruturas sofisticadas períodos surpreendentemente curtos.

Como uma analogia, considere a seqüência de 13 letras "TOBEORNOTTOBE". Aqueles hipotéticos milhões de macacos, cada um pegando uma frase por segundo, poderiam levar 78.800 anos para encontrá-la corretamente entre as 2.613 seqüências daquela extensão. Mas nos anos 80, Richard Hardison, da Faculdade de Glendale, escreveu um programa de computador que gerava frases aleatoriamente enquanto preservava as posições de cada letra que estariam corretamente colocadas. Na média, o programa recriava a frase em apenas 336 interações, em menos de 90 segundos. O mais espantoso, é que podia reconstruir todas as obras de Shakespeare em apenas quatro dias e meio.

9. A Segunda Lei da Termodinâmica diz que sistemas tendem a ficar mais desordenados ao passar do tempo. Células vivas, portanto, não poderiam ter evoluído a partir de produtos químicos, e a vida multicelular não poderia ter evoluído a partir dos protozoários.

Esta argumentação deriva-se de um mal entendido da Segunda Lei. Se fosse válido, os cristais minerais e flocos de neve também seriam impossíveis, porque eles também são estruturas complexas que formam-se espontaneamente a partir de partes desordenadas.

A Segunda Lei, na verdade, declara que a total entropia de um sistema fechado (um em que nenhuma energia ou matéria entre) não pode reduzir. A entropia é um conceito físico freqüentemente e casualmente descrito como desordem, mas difere significantemente do significado coloquial da palavra.

Mais importante, contudo, é que a Segunda Lei permite que partes de um sistema reduza em entropia ao passo em que as outras partes experimentem um aumento compensatório. Por isso, nosso planeta como um todo, pode vir a ser mais complexo porque o sol emite calor e luz nele, e a maior entropia associada com a fusão nuclear do sol mais do que re-equilibra as escalas. Organismos simples podem abastecer seu crescimento direcionados à complexidade consumindo outras formas de vida e materiais não vivos.

10. As mutações são essenciais para a evolução da teoria, mas podem apenas eliminar feições. Não podem produzir novas espécies.

Ao contrário, a biologia tem catalogado muitas feições produzidas por mutações em precisas posições em um DNA de um organismo) - a resistência bacteriana ao antibiótico, por exemplo.

As mutações que acabam em uma família de homeobox (Hox) de genes reguladores de desenvolvimento em animais também podem ter efeitos complexos. Os genes Hox controlam onde as pernas, asas, antena e segmentos do corpo devem crescer. Em moscas de frutas, por exemplo, a mutação chamada Antennapedia causa o brotamento de pernas onde as antenas deveriam crescer. Estes membros anormais não são funcionais, mas a sua existência demonstra que erros de genética podem produzir estruturas complexas, que a seleção natural pode, então, testar para possível uso.

Além disso, a biologia molecular descobriu mecanismos para a mudança genética que vão além de pontos de mutações, e desenvolvem-se caminhos pelos quais novas feições podem aparecer. Os módulos funcionais dentro dos genes podem ser encaixados juntos de novas maneiras. O conjunto de genes pode ser acidentalmente duplicado no DNA de um organismo, e as cópias ficam livres para transformarem-se em genes de características complexas. Comparações do DNA de uma grande variedade organismos indicam que é assim que a família de globinas de proteínas do sangue evoluíram através de milhões de anos.

11. A seleção natural poderia explicar a microevolução, mas não pode explicar a origem de novas espécies e outras ordens maiores de vida.

Biólogos evolucionistas têm escrito extensivamente sobre como a seleção natural poderia produzir novas espécies. Por exemplo, no modelo chamado allopatry , desenvolvido por Ernst Mayr da Universidade de Harvard, se uma população de organismos fosse isolada do resto de suas espécies por limites geográficos, poderiam estarem sujeitos a pressões seletivas diferentes. Acumulariam-se mudanças na população isolada. Se tais mudanças tornassem-se tão insignificantes que o grupo separado não poderia ou rotinamente não procriaria com a descendência original, então o grupo separado seria reprodutivamente isolado e direcionado para tornarem-se uma nova espécie.

A seleção natural é o melhor estudo sobre os mecanismos evolutivos, mas os biólogos estão abertos para outras possibilidades também. Os biólogos estão constantemente acessando o potencial de mecanismos genéticos incomuns causadores de novas espécies ou produtores de características complexas em organismos. Lynn Margulis da Universidade de Massachusetts em Amherst e outros têm persuasivamente discutido que algumas organelas, tais como a mitocôndria geradora de energia, evoluída através da fusão simbiótica de organismos antigos. Por isso, a ciência dá boas vindas à possibilidade de que a evolução teria resultado de forças além da seleção natural. Ainda que tais forças devam ser naturais; não podem ser atribuídas à ações de misteriosas inteligências criativas cuja existência, em termos científicos, não foi provada.

12. Ninguém nunca viu uma nova espécie evoluir.

A evolução de novas espécies é provavelmente razoavelmente rara e em muitos casos poderia levar séculos. Ademais, reconhecer uma nova espécie durante um estágio formador pode ser difícil, porque os biólogos às vezes discordam sobre como definir melhor uma espécie. A definição mais amplamente utilizada, o Conceito Biológico de Espécies de Mayr, reconhece uma espécie como uma comunidade distinta de populações reprodutivamente isolada - coleções de organismos que normalmente não podem ou não procriam fora de sua comunidade. Na prática, este padrão pode ser difícil de se aplicar a organismos isolados pela distância, pelo terreno ou vegetação (e, obviamente, fósseis não procriam). Biólogos por essa razão geralmente usam características comportamentais e físicas dos organismos como pistas sobre seu grupo de espécies.

Todavia, a literatura cientifica contém relatórios de aparentes eventos de evoluções em novas espécies em plantas, insetos e vermes. Na maioria desses experimentos, pesquisadores sujeitaram organismos a vários tipos de seleção - para diferenças anatômicas, comportamento do companheiro(a), preferências de habitat e outras características - e descobriram que eles criaram populações de organismos que não procriaram com intrusos. Por exemplo, Willian R. Rice, da Universidade do Novo México e George W. Salt da Universidade da Califórnia em Davis, demonstraram que se eles selecionassem um grupo de moscas de frutas por sua preferência por certos ambientes e procriassem tais moscas separadamente por 35 gerações, as moscas resultantes recusariam procriar com aquelas de um meio completamente diferente.

13. Os evolucionistas não conseguem apontar qualquer fóssil intermediário - criaturas que são meio réptil meio pássaro, por exemplo.

Na verdade, os paleontologistas sabem de muitos exemplos detalhados de fósseis intermediários em forma entre vários grupos taxonômicos. Um dos mais famosos fósseis de todos os tempos é o Arqueopterix, que combina penas e estruturas de esqueleto peculiares a pássaros com feições de dinossauros. Uma qualidade de bando de outras espécies fósseis com penas, alguns mais relativos às aves, outros menos, também foi encontrada. Uma seqüência de fósseis abarca a evolução dos cavalos modernos a partir dos pequenos Eohippus. As baleias têm ancestrais de quatro pernas que caminhavam na terra, e criaturas conhecidas como Ambulocetus e Rodhocetus ajudaram a realizar essa transição [veja "Os Mamíferos que Conquistaram os Mares", por Kate Wong; Scientific American, maio]. Conchas do mar traçam a evolução de vários moluscos através de milhões de anos. talvez 20 ou mais hominídeos (nem todos nossos ancestrais) preenchem a brecha entre Lucy, o autralopithecus do plistoceno, e o homem moderno.

Criacionistas, porém, dispensam esses estudos fósseis. Eles argumentam que o Arqueopterix não é o elo perdido entre os répteis e os pássaros - é apenas um pássaro extinto com características de réptil. eles querem que os evolucionistas produzam um monstro fantástico, bizarro que não possa ser classificado como pertencente a qualquer grupo conhecido. Mesmo se um criacionista aceitar um fóssil como uma transição entre duas espécies, ele ou ela poderá então insistir em ver outros fósseis intermediários entre este e os dois primeiros. Estes frustrantes requerimentos podem continuar ad infinitum e estabelecer um ônus não razoável ao nunca completo registro fóssil.

Todavia, os evolucionistas podem citar uma evidência sustentadora adicional da biologia molecular. Todos os organismos compartilham da maioria dos genes, mas como a evolução prevê, as estruturas desses genes e seus produtos divergem entre as espécies, de acordo com suas relações evolutivas. Geneticistas falam a respeito de um "relógio molecular" que grava a passagem de tempo. Esses dados moleculares também mostram como vários organismos são transicionais dentro da evolução.

14. Seres vivos têm características fantasticamente complexas - em níveis anatômicos, celulares e moleculares - que não poderiam funcionar se fossem menos complicados ou sofisticados. A única conclusão prudente é que eles são produtos de um projeto inteligente, não evolutivo.

Este "argumento do desígnio inteligente" é a espinha dorsal dos mais recentes ataques ao evolucionismo, mas também é um dos mais antigos. Em 1802 o teólogo Willian Paley escreveu que se alguém encontrasse um relógio de bolso em um campo, a conclusão mais razoável é que alguém o deixou lá, não que forças naturais o tivessem feito. Por analogia, Paley argumentou, que as estruturas complexas dos seres vivos devem ser produtos do trabalho manual de direta intervenção divina. Darwin escreveu em A Origem das Espécies como resposta à Paley: ele explicou como as forças naturais da seleção, ação em características herdadas, poderia gradualmente formar a evolução de estruturas orgânicas ornadas.

Gerações de criacionistas têm tentado opor-se a Darwin citando o exemplo do olho como uma estrutura que não poderia ter sido produto de evolução. A habilidade do olho de proporcionar a visão depende do perfeito arranjo de suas partes, dizem esses críticos. A seleção natural nunca poderia, desse modo, favorecer as formas transicionais necessárias durante a evolução do olho - qual a vantagem de se ter meio olho? Antecipando essa crítica, Darwin sugeriu que mesmo os olhos "incompletos" poderiam conferir benefícios (tais como ajudar as espécies a movimentarem-se em direção à luz) e por meio disso sobreviver para um mais adiante refinamento evolutivo. A biologia tem defendido Darwin: pesquisadores identificaram os olhos primitivos e órgãos sensíveis à luz por todo reino animal e também traçado a história evolutiva dos olhos através da genética comparativa. (Agora parece que em várias famílias de organismos, os olhos evoluíram independentemente.)

Os advogados do projeto inteligente hoje em dia são mais sofisticados que seus antecessores, mas seus argumentos e metas não são fundamentalmente diferentes. Eles criticam a evolução tentando demonstrar que não poderia responder pela vida como conhecemos e então insistem que a única alternativa sustentável é que a vida foi projetada por uma inteligência não-identificada.

15. Recentes descobertas provam que mesmo em nível microscópico, a vida têm uma qualidade da complexidade que não poderia ter acontecido através da evolução.

A "complexidade irredutível" é o brado de guerra de Michael J. Behe da Universidade de Lehigh, autor de "A Caixa-Preta de Darwin: O desafio bioquímico para a evolução". Como um exemplo doméstico da complexidade irredutível, Behe escolhe a ratoeira - uma máquina que não poderia funcionar se qualquer uma de suas peças estivesse faltando, peças que não têm valor algum quando soltas, exceto quando partes de um todo. O que é verdadeiro a respeito da ratoeira, ele diz, aplica-se ao flagelo bacteriano, uma organela celular da forma de um chicote usada para a propulsão que opera como uma motor de barco. As proteínas que formam um flagelo são estranhamente arranjadas em componentes nervo-motores, uma junta universal outras estruturas como aquelas que a engenharia humana poderia especificar. A possibilidade de que este arranjo intricado teria surgido através da modificação evolutiva é virtualmente zero, diz Behe, e isto evidencia o projeto inteligente. Ele faz considerações similares sobre o mecanismo de coagulação do sangue e outros sistemas moleculares.

Porém os biólogos evolucionistas têm respostas à essas objeções. Primeiro, existem flagelos com formas mais simples do que os citados por Behe, então não é necessário todos aqueles componentes para um flagelo funcionar. Todos os componentes sofisticados desse flagelo têm precedentes na natureza, como foi descrito por Kenneth R. Miller da Universidade de Brown e outros. De fato, a construção do flagelo com todos os componentes é extremamente similar a uma organela que Yersinia pestis, a bactéria da peste bubônica, usa para injetar toxinas dentro das células.

A chave é que a estrutura dos componentes do flagelo, que Behe sugere não ter valor fora seu papel na propulsão, pode servir múltiplas funções que deve ter ajudado a favorecer sua evolução. A evolução final do flagelo poderia ter então envolvido apenas a nova recombinação de partes sofisticadas que inicialmente evoluíram para outras propostas. De igual modo, o sistema de coagulação sangüínea parece envolver a modificação e a elaboração de proteínas que foram originalmente usadas na digestão, de acordo com estudos de Russel F. Doolittle da Universidade da Califórnia em San Diego. Então algumas das complexidades que Behe chama de provas do projeto inteligente, não são irredutíveis mesmo.

A complexidade de um tipo diferente - "complexidade especificada" - é a pedra fundamental dos argumentos do projeto inteligente de William A. Dembski da Universidade de Baylor em seus livros "O Design Inteligente" e "Nada de Almoço Grátis". Essencialmente seu argumento é que os seres vivos são complexos em um modo que processos não dirigidos e aleatórios nunca poderiam produzir. A única conclusão lógica, declara Dembski, repetindo Paley 200 anos atrás, é que alguma inteligência sobre-humana criou e formou a vida.

O argumento de Dembski contém várias falhas. É errado insinuar que o campo de explicações consiste apenas de processos aleatórios ou projetos inteligentes. Pesquisadores em sistemas não-lineares e automação celular no instituto de Santa Fe outros têm demonstrado que processos simples e não-direcionados podem produzir padrões extraordinariamente complexos. Algumas das complexidades vistas em organismos podem, conseqüentemente, emergir através de um fenômeno natural que , até agora, mal entendemos. Mas é muito diferente de dizer que a complexidade não poderia ter surgido naturalmente.

O "criacionismo científico" é um paradoxo. Um princípio central da ciência moderna é o naturalismo metodológico - procura explicar o universo puramente em termos de mecanismos observáveis e testáveis. Por essa razão, a física descreve o núcleo atômico com conceitos específicos que governam a matéria e a energia, e testa tais descrições. Uma versão deste artigo vai ao ar no dia 26 de junho no National Geographic Today, um programa do National Geographic Channel. Cheque sua listingsexperimentally local. Físicos apresentam novas partículas, tais como os quarks, para trazer à tona suas teorias apenas quando dados mostram que as descrições prévias não podem adequadamente explicar fenômenos observados. As novas partículas não têm propriedades arbitrárias, além disso - suas definições são firmemente tensas, porque as novas partículas devem encaixar-se dentro da estrutura da existente estrutura física.

Diferentemente, os teóricos do desígnio inteligente invocam entidades obscuras que convenientemente têm habilidades necessárias para resolver o mistério prontamente. (Como alguém provaria a não existência de inteligências onipotentes?)

O projeto ou desígnio inteligente oferece poucas respostas. Por exemplo, quando e como uma inteligência em desígnio interveio na história da vida? Criando o DNA? A primeira célula? O primeiro humano? Todas as espécies foram projetadas ou apenas algumas poucas primitivas? Proponentes da teoria do desígnio inteligente freqüentemente desviam desses pontos. Nem ao menos fazem tentativas reais para reconciliar seus disparates sobre o desígnio inteligente. Ao invés disso, procuram argumentos por exclusão - que é depreciar e definir as explicações evolutivas como sendo forçadas ou incompletas e então deduzir que apenas as alternativas baseadas no projeto permanecem.

Isto é logicamente enganoso: mesmo se uma explicação naturalista é invalidada, não significa que todas sejam. Além disso, isso não faz que uma teoria do desígnio inteligente seja mais razoável que outra. Ouvintes são essencialmente deixados para que preencham os espaços em branco por eles mesmos, e alguns irão indubitavelmente fazê-lo substituindo suas crenças religiosas pelas idéias científicas.

O tempo e, novamente, a ciência têm mostrado que o naturalismo metodológico pode repelir a ignorância, encontrando respostas informativas incrivelmente detalhadas para os mistérios que uma vez pareciam impenetráveis: a natureza da luz, as causas das doenças, como o cérebro trabalha. A evolução está fazendo o mesmo com o enigma de como o mundo dos seres vivos tomou forma. O criacionismo, em qualquer denominação, nada acrescenta de valor intelectual ao esforço.

***

Escrito em 17 de junho de 2002. John Rennie é editor-chefe da revista Scientific American.

Informativo:

  • O ensaio base original está disponível em http://www.biosci.ohiou.edu/courses/200203/fall/bios/fifteenanswerstocreationists.html
  • Traduzido por: Fábio Emerim
  • Traduções para o espanhol e sugestões para correções na tradução e na gramática são bem-vindas.
    Envie o seu comentário, a sua opinião ou correções na tradução/gramática deste texto!

    Nome: E-Mail:
    Cidade: Estado:
    País:
    Comentário:


  • | Principal | S.T.R. | Atheos | Scientia | Libertas | Fórum | Revista | Ceticismo Aberto | Os Perigosos |
    | Eventos | Notícias | Revolucione | Frases | Membros | Sobre Nós | Eleve Sua Voz | Debate |
    | Compras | Humor | Bad Religion | Junte-se a Nós | Chat | Fale Conosco | Links | Respostas |
    Informativo: O conteúdo dos textos publicados em nossas áreas são de exclusiva responsabilidade
    dos seus autores e não necessariamente refletem a opinião da equipe e dos membros da STR.
    Todo o conteúdo © Copyright 1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 da Sociedade da Terra Redonda (str@str.com.br)
    Proibida a republicação ou redistribuição, parcial ou total, sem prévia autorização. Mais informações sobre direitos autorais.
    Projetada para ser visualizada no Internet Explorer 4+ a 800x600x16K sem modificação no estilo das fontes. Webmaster: Leo Vines