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RESENHA DO LIVRO BILHÕES E BILHÕES, DE CARL SAGAN
de Dan Barker
Aquele era o ano em que a série "Cosmos", de Carl Sagan, foi trasmitida na televisão pública, e foi o ano em que Sagan fundou a "Planetary Society" (Sociedade Planetária), na qual entrei como membro fundador. (Ainda tenho todas as revistas originais.) Assisti a cada um dos episódios de "Cosmos", cativado. Não foi uma experiência religiosa--foi muito melhor. (Eu deveria saber.) Eu estava de olhos bem abertos, finalmente vendo o mundo real. Lembro-me quando ainda criança dei a um de nossos gatos um pouco de atum fresco, vi aquele animalzinho, que havia crescido comendo somente comida enlatada para gatos e que por um momento sente o gosto de atum fresco, através de uma criança, ficando doido ao engolir um pouco de comida de verdade. Assim era como me senti assistindo "Cosmos". O impacto daquela série foi devido a mais do que apenas os fortes fatos da ciência. Foi a forma como eles foram mostrados. Carl Sagan adentrou exatamente na minha sala de estar, como um tio predileto, me fazendo compartilhar de seu entusiasmo pelas maravilhas do universo. Ele era acessível, não era ameaçador. Ele me fez pensar como se eu estivesse entre os cientistas, não abaixo deles. Ele era obviamente apaixonado pelo assunto--ele não estava apenas fazendo um trabalho--e seu entusiasmo era contagioso. Quando Sagan sucumbiu de pneumonia em dezembro de 1996, a raça humana perdeu seu tio predileto. E nós, livres-pensadores, sabemos, como Sagan sabia, que a perda é para sempre. A esposa de Carl, Ann Druyan, no epílogo do último livro de Sagan, Bilhões e Bilhões: Reflexões Sobre Vida e Morte na Virada do Milênio (publicado postumamente em 1997), dá um relato comovente dos últimos dias de Carl. Ambos reconheceram o fato de que seu último adeus seria realmente o último: "Ao contrário das fantasias dos fundamentalistas, não houve conversão no leito de morte, nenhum refúgio de última hora numa visão consoladora do céu ou de uma vida após a morte. Para Carl, o que mais importava era a verdade, e não apenas aquilo que poderia fazer com que nos sentíssemos melhor. Mesmo nessa hora, quando qualquer um seria perdoado por se afastar da realidade de nossa situação, Carl foi inabalável. Quando olhamos profundamente nos olhos um do outro, foi com a convicção partilhada de que a nossa maravilhosa vida em conjunto estava terminando para sempre."No capítulo "A Arte Refinada de Detectar Mentiras" do livro O Mundo Assombrado pelos Demônios (último livro que Sagan publicou enquanto estava vivo e o mais crítico à religião), Carl escreveu: "Se fosse anunciada alguma evidência real de vida após a morte, desejaria muito examiná-la; mas teria de ser uma evidência real científica, e não uma simples anedota. Em casos como A Face em Marte e os raptos por alienígenas, eu diria que é melhor a verdade dura do que a fantasia consoladora. E, no cômputo final, revela-se freqüentemente que os fatos são mais consoladores que a fantasia."Sentimentos como estes são infinitamente mais comoventes, mais corajosos, mais significativos do que qualquer hino ou sermão que jamais ouvi. Da mesma forma que Ann Druyan citou em seu discurso antes da convenção da Freedom From Religion Foundation no último dezembro, embora Carl Sagan tenha morrido, ele ainda "está conosco", num sentido naturalista. Os efeitos de seu trabalho continuam a ressoar no mundo real. (Ainda estou "infectado" com a alegria do aprendizado científico que ele transmitiu através da minha televisão há 18 anos atrás.) As organizações que Sagan fundou continuam distinguindo-se e os livros que ele escreveu ainda estão iluminando milhões de pessoas.
Bilhões & Bilhões, US$25 ppd., e uma versão brochura de Contato (no qual foi baseado o filme "Contato") por US$7 ppd., estão disponíveis através da Freedom From Religion Foundation, Inc., PO Box 750, Madison WI 53701. Compre-os também através da STR, na Área Compras. Dan Barker é o diretor de relações públicas da Fundação. Publicado originalmente na Freethought Today, em abril de 1998. Comentários
Felipe Campelo França Pinto - fcampelo@campus.cce.ufmg.br - Sim, perdemos todos o nosso "Tio" preferido. E, infelizmente, para sempre.
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