Publicado: 24/02/2002
de Bronowski, Diederich, Whaley & Surratt
Dito de forma simples, um cientista prefere "ir e ver por si mesmo". Você não discute se está chovendo lá fora - simplesmente põe a mão para fora da janela. Basicamente, isso é a crença de que existe um mundo real seguindo regras constantes em sua natureza, e que nós podemos experimentar esse mundo real e construir nosso entendimento - ele não mudará por nossa causa. E o mundo real também não depende do nosso entendimento - nos não "votamos" em ciência. 2. Determinismo "Causa e efeito" é a base de tudo. Em um mecanismo simples, uma ação causa uma reação e efeitos não ocorrem sem causas. Isso não quer dizer que não existam processos aleatórios ou caóticos. Mas um agente causador não produz um efeito hoje e um outro amanhã. 3. Uma crença de que os problemas têm soluções. Grandes problemas foram solucionados no passado, desde o Projeto Manhattam até enviar um homem à lua. Outros problemas como a poluição, guerra, pobreza e ignorância são vistos como tendo causas reais e são, portanto, solucionáveis - talvez não facilmente, mas é possível. 4. Parcimônia Preferir a explicação simples à complexa: quando tanto o complexo sistema geocêntrico com epiciclos quanto o simples sistema heliocêntrico Copernicano explicam o movimento aparente dos planetas, nós escolhemos o mais simples. 5. Manipulação científica. Qualquer idéia, mesmo se for simples e de acordo com observações aparentes, deve geralmente ser confirmada por trabalhos que levantem a possibilidade de que os efeitos sejam causados por outros fatores. 6. Ceticismo Quase todas as proposições partem de asserções prévias. Um cientista geralmente atinge um beco sem saída na pesquisa e tem que voltar e determinar se todas as asserções feitas são verdadeiras e como o mundo opera. 7. Precisão Os cientistas ficam impacientes com proposições vagas. Um vírus causa uma doença? Quantos vírus são necessários para infectar? Há algum hospedeiro imune ao vírus? Cientistas são muito exatos e meticulosos. 8. Respeito por paradigmas. Um paradigma é o nosso entendimento genérico sobre como o mundo funciona. Um conceito se "encaixa" no nosso entendimento genérico ou falha em se encaixar em nosso conhecimento do mundo? Se não se encaixa, é "incômodo" e o cientista parte para descobrir se o novo conceito é falho ou se o paradigma deve ser alterado. 9. Um respeito pela força da estrutura teórica. Diederich descreve como um cientista não costuma adotar a atitude "Isso funciona na teoria mas não funcionará na prática". Ele nota que a teoria "funciona" apenas se der certo na prática. De fato a correção da teoria está na finalidade em direção da qual o cientista está trabalhando; nenhum fato científico é acumulado aleatoriamente. (Isso é um entendimento que muitos bons estudantes de ciências devem aprender!). 10. Disposição para mudar de opinião. Quando Harold Urey, autor de uma teoria sobre a origem da superfície da lua, examinou as rochas lunares trazidas pela missão Apolo, ele imediatamente reconheceu que sua teoria não dava conta dos fatos postos diante dele. "Eu estava errado!", ele declarou sem qualquer intenção de defender a teoria que ele apoiou por décadas. 11. Lealdade à realidade. O Dr. Urey acima citado, não se converteu a nenhuma idéia nova, mas aceitou um modelo que se encaixava melhor à realidade. Ele nunca teria considerado manter uma opinião apenas porque ela estava associada a seu nome. 12. Aversão à superstição e uma preferência automática por explicação científica. Nenhum cientista pode conhecer toda a evidência experimental em que se baseia os conceitos científicos atuais e assim sendo deve adotar certos pontos de vista sem entender suas bases. Um cientista rejeita a superstição e prefere os paradigmas científicos como apreciação pela força do conhecimento baseado na realidade. 13. Uma sede de conhecimento, uma "motivação intelectual." Os cientistas são viciados em resolver quebra-cabeças. A pequena peça do quebra-cabeça que não encaixa é a mais interessante. Entretanto, como Diederich nota, os cientistas preferem viver com a incompletude do que "...preencher as lacunas com explicações inadequadas." 14. Julgamento suspenso. Novamente Diederich descreve: "Um cientista tenta arduamente não formar uma opinião sobre um determinado assunto até que ele o tenha investigado, porque é tão difícil desistir de uma opinião já formada, e elas tendem a nos fazer encontrar fatos que corroborem as opiniões. Deve haver, entretanto, uma disposição de agir sobre a melhor hipótese que alguém tenha tempo ou oportunidade de formar. 15. Ter consciência das proposições. Diederich descreve como um bom cientista começa definindo termos, fazendo todas as proposições muito claramente, e reduzindo as asserções necessárias para o menor numero possível. Geralmente nós queremos que os cientistas façam afirmações amplas sobre um mundo complexo. Mas os cientistas geralmente são bem específicos sobre o que eles "sabem" ou o que dirão com certeza. "Quando essas condições são satisfeitas, o resultado mais comum é tal-e-tal". 16. Habilidade de separar conceitos fundamentais dos irrelevantes ou não importantes. Alguns jovens estudantes de ciência se enchem de observações e dados que são de pouca importância para o conceito que eles querem investigar. 17. Respeito pela quantificação e apreciação da matemática como uma linguagem da ciência. Muitas das relações da natureza são melhor reveladas por padrões e relações matemáticas quando a realidade é contada e medida; e essa beleza geralmente permanece oculta sem essa ferramenta. 18. Uma apreciação da probabilidade e estatística. Correlações não provam causa e efeito, mas algumas pseudociências surgem quando uma ocorrência casual é tida como "prova". Indivíduos que insistem num mundo de tudo-ou-nada e que têm pouca experiência com estatística terão dificuldade de entender o conceito de um evento ocorrer por casualidade. 19. Um entendimento de que todo conhecimento tem limites de tolerância. Toda análise cuidadosa do mundo revela valores que variam pelo menos um pouco em torno do ponto médio; a temperatura corporal humana é cerca de tantos graus e objeto caem a uma certa taxa de aceleração, mas há alguma variação. Não há certeza absoluta. 20. Empatia pela condição humana. Ao contrario da crença popular, há um sistema de valores na ciência, e é baseado nos humanos como os únicos organismos que podem "imaginar" coisas que não são disparadas por estímulos presentes no tempo imediato em seus ambientes; nós somos, portanto, as únicas criaturas a olhar para o nosso passado e planejar o nosso futuro. É por isso que quando você lê um livro envolvente, você se imagina na posição de outra pessoa e você pensa "Eu sei o que o autor quis dizer e o que sentiu". Práticas que ignoram essa empatia e o valor resultante para a vida humana produzem ciência imprecisa. (Ver Bronowski para mais exemplos dessa "atitude científica" controversa).
Do Rational Enquirer, Vol 3, No. 3, Jan 90.
Modificado de Bronowski (1978), Diederich (1967) and Whaley & Surratt (1967). Extraído do The Kansas School Naturalist, Vol. 35, No. 4, April 1989. Cópias estão disponíveis gratuitamente escrevendo para:
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